10/07/2005

Assim [não] se investe em Educação

Intel estranha silêncio do Governo em projecto para Educação

Portugal corre o risco de ser excluído do programa Tech to the Future financiado pela Intel. De acordo com a edição do Expresso de sábado, uma fonte da companhia americana manifesta estranheza face à ausência de resposta do Governo para avançar com este projecto que "tinha sido assinado pelo ex-ministro da Educação David Justino"

08/07/2005

Uma boa notícia

O fim das reduções caminha para a morte, antes ainda do seu nascimento. Veja desenvolvimento da notícia aqui.

Mais protestos

A Frente Comum continua a tentar defender os interesses dos funcionários públicos. Tenho uma sugestão a apresentar: sendo Portugal um país com um número quase desmesurado de funcionários públicos, porque não começar por cortar no número de deputados? Para que queremos nós 230 deputados na Assembleia se, afinal, nunca estão lá todos, cada um tem não sei quantos ajudantes e secretárias e, pior de tudo, não se vê nada de bm sair do "trabalho" daquela gente? Quem avalia o desempenho dos senhores deputados? Quem afere a produtividade que estes indivíduos trazem para o país? (Note-se que os portugueses votam em Partidos, pelo que não podem escolher os deputados...)

Regimes especiais na Função Pública

Ao que parece, 60% dos funcionários públicos usufrui de regimes especiais. Só me passa pela cabeça perguntar se esses 60% são professores...

07/07/2005

Mais horas?

A DGIDC emitiu o Ofício-Circular número 30/DSEE/DES/05, com data de 28 de Junho, no qual se fornecem orientações para a gestão dos programas de diversas disciplinas. Em alguns casos isso poderá significar um acréscimo de algumas horas semanais. Os interessados deverão clicar aqui para verificar se têm menos ou mais horas disponíveis.

06/07/2005

Desdobramento de Turmas

É graças ao desdobramento de turmas que surgem muitas horas para distribuir por contratados ex-desempregados. A Direcção Geral de Desenvolvimento e Inovação Curricular acaba de esclarecer as regras que presidem a esse desdobramento.

Educação e Formação de adultos

Portugal é um dos países onde subsiste um elevado número de analfabetos - e não apenas funcionais. Em termos de qualificações profissionais, é o que se vê. Agora é o Conselho Europeu de Primavera a salientar a importância da formação de adultos. Pergunto-me quantos professores seriam necessários para fazer de Portugal um país mais evoluído. Ainda existiriam desempregados?

05/07/2005

Atenção desempregados:

Já foi aprovado o programa de generalização generalização do ensino de Inglês no 1º ciclo do ensino básico. A quem interessar...

Desterrados

Além dos professores sem quadro, como os contratados e os desempregados, há outros dramas que vão acontecendo por aí. Como os divisionismos raramente são aconselháveis, e como se trata de uma questão de justiça - ou pelo menos de moralidade - achei por bem trazer a este blog a situação inacreditável de quem, com melhor graduação, se vê condenado a ficar atrás de quem tem menor graduação. Claro que a forma como se calcula a graduação é altamente discutível. Não compreendo, por exemplo, a razão para um Mestre ou um doutorado concorrer atrás de um Quadro, apenas com base na antiguidade: mas essa é uma questão diferente e que merece um post mais extenso...

Greve? LISTA NEGRA, JÁ!

O sindicato da região Centro condena a existência de "listas negras" dos grevistas. Saiba mais desenvolvimentos aqui.

04/07/2005

Professores e Turismo

O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, afirmou hoje que é necessário revitalizar o turismo em Portugal, dado que grande parte constitui "oferta não qualificada".

Seria talvez conveniente fazer notar que para que a oferta seja qualificada é necessário, precisamente, proceder à sua qualificação. E essa qualificação faz-se, ao nível do pessoal, através da formação profissional.

Queria eu saber como pode o país ter um sistema de formação profissional completamente desestruturado e, mesmo assim, clamar pela necessidade "imperiosa" de qualificar as nossas capacidades económicas.

Estou certo que os milhares de profissionais de educação e formação desempregados ou em situação instável não se importariam, num gesto patriótico, de dar uma ajuda para essa qualificação. Não será?

02/07/2005

O País do Sol Egoísta.

Era uma vez um país de professores onde o sol era tão egoista, tão egoista, que só brilhava para alguns...Todos os dias nascia e pensava: " Porque hei-de brilhar para todos?". Assim, numas zonas os dias eram radiosos e cheios de luz e alegria, e noutras vivia-se numa semi-obscuridade atrofiante e claustrofóbica todo o ano.O negro destas zonas iluminava-se um pouco aí pelos meses de Setembro e Outubro, para logo a escuridão voltar envolta em frustração e angústia levando os habitantes dessas áreas a questionar: "-Que mal fiz eu para ser tratado assim?"E o breu caía e crescia... crescia... crescia... e fazia os corações murchar, como flores sem sol, na perspectiva de, lá para Agosto, aqulela réstia de luminosidade se esvair por completo e as trevas profundas invadirem as zonas tristes e isoladas desta terra triste e egoísta, na perspectiva de talvez nunca mais verem o sol!
Porque nenhum país pode ser pátria se o sol trata uns com carinho e outros com desprezo!
Porque nenhum país pode ir mais longe se o sol quando nasce não é para todos...

Não termino esta história hoje...talvez porque aínda tenha uma pequena réstia de esperança que um dia o meu país vá dar a volta por cima e tornar-se na "potência mundial" que merece!!
Hoje o fim seria obrigatoriamente triste, e para tristes já chegam os meus dias, por isso terminarei um dia, quem sabe...quando os contratados não forem olhados e tratados como necessidades não permanentes e quando eu, que sou contratado há 11 anos, já tiver o meu lugar ao sol e já não houver zonas semi-obscuras no meu país!!

União

Recuemos um ano: "Um país com um milhão de analfabetos não se pode dar ao luxo de ter cerca de 30 mil professores e educadores não colocados, e vários milhares em situação de enorme precariedade", Pode ? Recuemos um ano : O número de professores desempregados poderá chegar aos 40 mil no início do próximo ano lectivo Chegou ? frases retiradas do Sindicato de Professores da Região Centro. Este ano, 2005, Grupos sem entrada para o quadro : grupo 4 -zero vagas ; grupo 9 - zero vagas ; grupo 14 - zero vagas ; grupo 22 - zero vagas ; grupo 23 - zero vagas ; grupo- 29 - zero vagas ; grupo 33 - zero vagas ; grupo 34 - zero vagas ; grupo 36 - zero vagas. Alguêm acredita nestas zero vagas ou ACREDITA ANTES QUE O NOSSO ESTADO RESERVA ESTAS VAGAS PARA OS "reles contratados", pois assim paga-lhes menos e sabe que têm menos poder reivindicativo junto das organizações que os podem representar (sindicatos) . Não estará chegada a hora de união entre professores sem quadro e com quadro, para tornar um ensino melhor. Se assim não for eu continuarei a ser aquilo que o estado chama há onze anos, repito, onze anos, uma necessidade não permanente !!!! Uma necessidade não permanente há onze anos?!?!?!Eu acho que chegou a hora! E tu?

Incapacitados nos museus

Os Ministérios da Educação e da Cultura querem requalificar profissionalmente os professores que, sendo incapacitados para o ensino, possam desempenhar funções culturais noutros organismos. A medida, aparentemente bondosa, tem o condão de mostrar como se vê o profissional de educação em Portugal: é pau para toda a obra, estando inerentemente disponível para se professor, auxiliar, assistente social, animador social, agente cultural, etc....
Mas já que se fala de medidas de requalificação profissional, cá ficamos à espera de medidas sérias para fazer o mesmo relativamente aos contratados, desempregados e licenciados que se meteram nesta alhada. Ainda que o sonho de todos seja exercer funções docentes, digo eu que sempre é melhor ter um emprego do que não ter nenhum. Digo eu...

A verdade do ensino

"É inquestionável que os professores sofrem as consequências da crise global que afecta todo o sistema de ensino e que tem como causa próxima as políticas educativas seguidas nos últimos anos, em Portugal e em todo o mundo ocidental. Como escreveu António Teodoro - em local e momento que não sei precisar -, «os professores acrescentaram à sua função tradicional de transmissores de conhecimentos a de animadores culturais, de assistentes sociais, de responsáveis administrativos e políticos.
Esta concepção multifuncional dos professores traduziu-se num factor de perturbação, transformando os professores em verdadeiras criadas para todo o serviço». Esta concepção aliada a valores que invadiram a escola e que transformam o trabalho docente. em nome do sucesso educativo, numa «taylorização camuflada» criaram uma evidente crise de identidade, de gosto e de prazer pelo exercício da profissão. O que existe é insegurança, desconforto e mal-estar.O professor viu desvalorizados os
conteúdos culturais e formativos das respectivas disciplinas, a primeira razão de ser da sua profissão, em nome de um pedagogismo falacioso, e caiu no logro de passar «a viver» a escola. Que se traduziu em passar lá mais tempo a fazer um pouco de tudo e a ensinar cada vez pior. Como se isto não fosse já suficiente, viu as suas condições de trabalho piorarem, o seu sistema remuneratório ser progressivamente desvalorizado, as escolas serem transformadas em locais de violência, e alunos, pais e administração a exigirem-lhe cada vez mais, quando não a responsabilizá-lo por as coisas não correrem bem. «O professor mal pago, isolado, denegrido e humilhado, quer pelos alunos, quer pela hierarquia interiorizou esta sua condição e despreza o seu próprio trabalho»12. E contrariado, é obrigado a participar em infindáveis reuniões para tudo e para nada. A fazer actas.A fazer planificações (a longo, médio e curto
prazo) que quase sempre se transformam em meras idealizações que a prática concreta não confirma. A definir objectivos, os quais têm que ser gerais e específicos e obedecera uma nomenclatura especializadíssima. A fazer avaliações as quais deverão ser formativas, sumativas e globais. A fazer matrículas. A organizar as turmas. A
contabilizar as faltas dos alunos. A preencher pautas, fichas, parâmetros e outras papeladas. A elaborar horários. A decorar a escola. A pintar campos de jogos. A fixar cabides em balneários. A recuperar material. A organizar o inventário. A receber os pais. A dar mais atenção aos filhos dos outros que os próprios pais lhes dão. E finalmente, também, a dar aulas. E aqui, a dispor de estratégias de remediação para
tudo, em nome, de uma eventual «ciência» educativa. Ou seja, a dar valor e importância a aspectos secundários e em alguns casos dispensáveis da acção docente e a se não dedicar ao essencial: a matéria de ensinar. não dedicar ao essencial: a matéria de ensino e o acto pedagógico. A extensão e a consequência desta situação está à vista de todos: transformados em «pau para toda a obra» têm do exercício da profissão uma imagem que não está apenas desvalorizada aos «olhos dos outros»: ela
está também instalada no seio dos professores. Basta para tanto que os oiçamos. E se possível, contabilizemos, quantos não mudariam rapidamente de profissão se acaso a oportunidade surgissel3. E quantos outros, não encontram em outras actividades profissionais exteriores à Escola, a compensação profissional que aquela lhe não oferece. Esta crise é geral, e afecta naturalmente e também os professores de Educação Física. E estes, tais como os restantes, são chamados a lutar pela alteração deste estado de coisas. Desde logo, recusando a funcionalização dás suas tarefas profissionais. Mas igualmente revalorizando o essencial das suas profissões: as matérias que têm para ensinar
.

A Ministra disse...

Disse muitas coisas, ainda que não a tenha ouvido no Parlamento nem visto na RTP. Disse que os estágios são "um gritante desperdício" e que é "esquizofrénico" estar a pagar a jovens sabendo que nunca o Estado irá precisar deles. «Muitos vieram enganados na expectativa de terem uma profissão num campo de actividade que não tem mais saída, mas isso lamento. Não podemos é continuar a alimentar as expectativas dos jovens, que pensam num futuro imediato como professores, quando sabemos todos que não vão ter», acrescentou.

De resto, anunciou aquilo que parece ser a fusão dos Quadros de Escola e Quadro de Zona num único critério de ordenação. Sobre contratados e desempregados, nada mais há a registar, motivo pelo qual apenas posso recomendar este link, com uma reflexão muito bem conseguida disponibilizada por f..., participante do fórum Educare.

01/07/2005

A Fenprof e as vinculações dinâmicas

Encontrei isto na internet, fazendo simplesmente uma pesquisa por "vinculação dinâmica" no google. Trata-se de um registo das acções da fenprof, entre 1990 e 2000 relativamente às vinculações dinâmicas dos cobtratados. Se encontrar coisas mais recentes, di-lo-ei. Se encontrarem, digam, que faz falta sabermos como é que "eles" se estão a mexer. Entretanto, segunda-feira (dia 4 de Julho de 2005) há um plenário de professores contratados na sede do spn. Quem puder comparecer... Insisto: se não comparecemos a estas coisas, se não nos mexemos, de que é que nos queixamos?

Sindicato de Professores do Norte

O spn tem uma secção dedicada exclusivamente aos contratados e desempregados. Vale a pena saber o que se passa!

Os professores trabalham pouco...

Excelente exemplo no Público de hoje sobre o quotidiano de um professor. Vale a pena ler o comentário de uma leitora...

O fim das remunerações nos estágios pedagógicos.

Diz a Ministra que a intenção não é só poupar - é também evitar o excesso de jovens atraídos pelo ensino. Pois, mas agora é necessário fornecer-lhes alternativas credíveis, como cursos de reconversão profissional. E também se pode perguntar se as escolas têm excesso ou falta de professores: é que se a ratio professor/aluno até é razoável, em comparação com países europeus, já a situação experienciada por aqueles que tiveram a sorte ed trabalhar não é bem essa: quem nunca teve turmas de 30 alunos que levante um dedo.