28/09/2005

Terceira cíclica

Já estão disponíveis as novidades da terceira contratação cíclica. Mais uma vez, não há muitos horários.

Acabou-se

O sonho, agora apenas uma ilusão triste, de pertencer aos quadros do estado, com todos os benefícios que daí decorrem, acabou-se. Conferir notícia do público (pequenina, lá num canto da secção de economia) em que o Ministro das Finanças afirma que «Só os trabalhadores ligados às funções de soberania terão estatuto associado à "imagem de funcionário público"». Aparentemente o ministro quer a lógica privada na função pública.
Nós, professores contratados, somos oficialmente tarefeiros.
PS: Os privados cumprem as regras de efectivação. O Estado não. Será que essa mudança de gestão implica também (finalmente) o cumprimento da lei geral? (x anos de trabalho = efectivação). Não acredito.

27/09/2005

O fórum Educare

Acompanho este fórum há mais de um ano e, para lá de muitas outras considerações que seriam possíveis, há uma que me parece particularmente importante. É que participam nesse fórum várias pessoas que, ano após ano, passam pelas mesmas angústias, os mesmos problemas, o mesmo desespero: o desemprego, o sub-emprego, a colocação tardia, a colocação a centensa de quilómetros da família, os filhos que se "abandonam", os sonhos que se desvanecem.
Olho para trás - já lá vão 11 anos a dar aulas - e lembro-me que, no início, também eu estava assim; que a pouco e pouco "as coisas" foram melhorando ao ponto de hoje a efectivação ser uma possibilidade em aberto - tanto quanto o abandono puro e simples da profissão, devo dizê-lo.
Só que, olhando para a realidade actual, olhando para os números e para muitos dos casos que conheço in loco, pergunto-me: valerá a pena tanto sacrifício? Ou antes: merecerá o ME que tantos professores passem por todo este drama existencial? Dou por mim a ver casos profundamente deprimentes em que a vontade de ser professor suplanta todas as barreiras, todas as dificuldades.
A todos aqueles que acreditam vai daqui um grande abraço.

Ainda as horas extraordinárias

No site da FENPROF há um aviso que reitera a ilegalidade das últimas "interpretações" da lei feitas pelo Ministério. Convém ler...

5 de Outubro

A 5 de Outubro comemora-se o Dia do Professor. Como o fará o actual Governo?

25/09/2005

País surreal!

Este ataque só é possível porque Portugal é uma república das bananas. Os mesmos que aplaudem Isaltinos, Valentins, Torres e Felgueiras vários por gozarem com o sistema judicial e político português (julgo que ainda é uma democracia, não é?) apontam o dedo aos professores por trabalharem pouco, apoiados pelo governo que diz isso explicitamente em cada nova notícia sobre educação que deita cá para fora. Perguntem aos psicólogos e psiquiatras o que se passa connosco se já não acreditam em nós. Ser Professor é duro. Muito duro. E as condições que tinhamos eram essenciais para desempenhar bem as nossas funções. Agora... vou começar a pensar primeiro em mim e só depois nos alunos. Apontem-me o dedo!

Ignóbil!!!

Ignóbil!!! Impôr decisões injustas, ilegais, imorais sem sequer as negociar é uma atitude ignóbil. Isto só tem um nome: fascismo. Em democracia os procedimentos são outros. Alterar a designação de tempos lectivos apenas para não pagar horas extraordinárias é uma postura fascista indigna de uma democracia. As aulas de substituição quando leccionadas por um professor de outra área disciplinar passam a designar-se actividades educativas. Desta forma, o governo livra-se de pagar horas extraordinárias.
Mas o que é isso de actividade educativa? Conversar sobre futebol com os putos? Passear pelos jardins com eles? Para realizar alguma actividade educativa não estarei a suar um tempo, dois tempos, três tempos lectivos??? Como posso realizar uma actividade se não participei na sua planificação, nem sequer conheço os alunos para saber como agir com cada um deles? Esses gajos do ministério nunca deram aulas numa escola real. Não fazem ideia nenhuma do que é ser professor. Querem nos dar uma nova função sem nos pagar por isso.
Estamos perante o mais grave ataque á nossa profissão. Onde está a greve? Onde estão os professores na rua? Onde está a desobediência civil (dentro da escola recusando o que é ilegal e injusto)? Temos que agir, colegas. E depressa. Daqui a pouco estamos a limpar o pó das mesas e a lavar os quadros no final do dia.

Caloteiros

Agora nem as aulas de substituição constituem componente lectiva, contrariando o que está estipulado por lei. Por outras palavras: em resposta à exigência de pagamento de horas extraordinárias por parte dos professores, o Governo prepara-se para negar mais esse direito. Mais lenha na fogueira...

23/09/2005

Perigos da contratação

Num mundo ideal, os professores seriam contratados por períodos longos pelas própias escolas, permitindo a cada uma escolher o seu próprio corpo docente. Eventualmente, os docentes teriam algo a ganhar com isso, pois poderiam negociar melhores contratos em função dos objectivos de ambas as partes.

No país real, o que temos é uma série de "esquemas" mais ou menos legais em que quem tiver mais habilidade passa a perna aos outros. Senão veja-se o que aconteceu aqui para perceber os riscos da contratação de professores directamente pelas escolas.

E na sequência do meu post anterior, questiono: é para isto que andamos a sacrificar as nossas vidas pessoais?

Continuo à espera de respostas.

Mudar de vida

Ganha-se mal; trabalha-se muito; não há reconhecimento social; gozam connosco; alguém me apresenta motivos para se querer esta profissão? Ando nisto há 11 anos e cada vez mais penso em mudar de vida. Mesmo para aqueles para quem ser professor é um sonho, um projecto de vida, pergunto: e vale a pena?

Responda qem souber.

22/09/2005

Ensino de Português no estrangeiro

O Governo vai acabar com o destacamento de professores de português no estrangeiro, a partir do ano lectivo de 2006/2007. Segundo afirmou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, no futuro "a situação normal será a via da contratação", já que o destacamento de 60% dos professores no estrangeiro representa um encargo muito grande para Portugal, que não se justifica". O concurso de 2006 terá já novas regras.

Formação profissional

Se o Governo conseguir requalificar profissionalmente um milhão de portugueses até 2010, muitos e muitos formadores serão necessários para o fazer. Ou não? Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

Dia de colocações

Hoje há cíclicas. Aos que estão desempregados, boa sorte.

20/09/2005

FENPROF

Vale a pena ler o que diz a FENPROF, bem como o que diz a FNE.
Só falta mesmo é uma greve nacional de Professores. Compreendo que os sindicatos não a façam. E fico-me por aqui.

17/09/2005

Os Professores são uns totós?

Trabalhando 35 horas por semana, quanto ganha por cada uma dessas horas um contratado, devidamente profissionalizado, com formação superior numa qualquer área científica, no índice 151? Fiz as contas e cheguei à conclusão que cada uma dessas 35 horas lhe rende €6,50, mais cêntimo menos cêntimo.

Os indiferenciados que andaram a pintar a minha casa, para lá das cervejas, cobraram € 7,5 por cada hora de serviços prestados.

Só posso concluir que o ME considera que os Professores são uns totós e, nessa qualidade, lhes paga o que merecem.

Para quem acha que os QE do último escalão ganham muito, cá vai disto: com as novas medidas impostas pelo governo, um QE com um vencimento líquido de € 1600 ganha a fabulosa quantia de €11,10. "Fantástico", para quem está no topo da carreira.

Acho que o ME tem razão. Fazíamos greve durante um mês e isto ia ao sítio. Mas a greve de um dia teve os resultados que se viu...

16/09/2005

Insultos?

Desculpem o desabafo desordenado, mas será que os professores não podem usar os adjectivos fascista e mentiroso relativamente a um governo que:
a) os impediu ilegalmente de fazer greve;
b) exigiu listas dos professores que, com coragem, e legalmente, fizeram greve;
c) está a aproveitar um processo de colocação de professores corajosamente encetado pela ministra Seabra do governo Santana Lopes (-volta, estás perdoada), sem nunca referir esse facto;
d) tem como secretário de estado um sujeito que se ri dos alunos e seus pais de Nisa. Sim. O tipo riu-se. Eu ouvi na TSF. Até o Carlos Magno (jornalista assumidamente socialista) na Antena1 referiu esse facto como uma falta de respeito inqualificável (ou talvez não... que tal... mmhhm ...fascista?) pelas pessoas de Nisa.
e) através do ministério da educação lançou uma campanha de descredibilização dos professores como nunca existiu em Portugal. Como se não bastasse a pouca consideração pública de que gozavamos. E apenas com objectivos de luta sindical: uma classe desvalorizada e mal vista não tem força junto da opinião pública. A seu tempo se verão as consequências disto.
f) ...

REQUERIMENTO PARA PAGAMENTO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS

Está no site so SPN um formulário para exigir o pagamento de horas extraordinárias em função das "aulas de substituição". Por mim, não deixarei passar a oportunidade.

A minuta é esta:

Exmo(a) Senhor(a)

Presidente do Conselho Executivo:

O dever de custódia consagrado no artº 10º, nº 2, alínea m) do Estatuto da Carreira Docente (Decreto-Lei 1/98, de 2 de Janeiro, alterado pelo Decreto-Lei nº 121/05, de 26 de Julho), prevê a "realização na educação pré-escolar e no ensino básico de actividades educativas de acompanhamento de alunos, destinadas a suprir a ausência imprevista e de curta duração do respectivo docente". Os artigos 82º, nº 3, alínea e) e 83º, nº 2 referem, por sua vez, que este trabalho de "substituição de outros docentes" se considera "serviço docente extraordinário".

Assim,.................................. (Nome), (categoria profissional, sector de ensino/grupo de docência) ......................, vem requerer o pagamento de ........ horas extraordinárias, prestadas no mês(es) de ..........., em cumprimento do disposto no artigo 5º do Despacho 17 387/2005, de 12 de Agosto, e que abaixo se discriminam por semana, para efeitos do cálculo do respectivo valor.


Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas




Data e assinatura

15/09/2005

Já há cíclicas

Podem ser consultadas aqui. No relance que dei, parece-me que os resultados são piores do que aquilo que seria expectável. Boa sorte para todos.

Próximo concurso fixa quadros de escola e zona educativa

O próximo concurso de professores irá fixar nas escolas, por três a quatro anos, os docentes que pertencem aos quadros de um estabelecimento de ensino ou de uma zona pedagógica, anunciou esta quinta-feira o secretário de Estado da Educação.


«Actualmente há 30 mil professores dos quadros de zona pedagógica afectos anualmente a uma escola diferente e isso vai ser alterado», explicou Valter Lemos, à margem de uma visita a uma escola básica do primeiro ciclo em Carnide, Lisboa.

«O sistema actual está montado para aumentar a mobilidade e a instabilidade e o objectivo é precisamente o de manter os professores nas escolas», sublinhou.

No início do mês, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou que o próximo concurso de professores será válido por três a quatro anos, de modo a eliminar a «instabilidade permanente no ensino».

O líder socialista salientou, na altura, que no próximo ano lectivo o concurso de colocação de professores «será válido por um período de três ou quatro anos, conforme a duração do ciclo de ensino», para evitar a «instabilidade permanente provocada pelos professores em trânsito, saltando de escola para escola».

Esta quinta-feira, o secretário de Estado não quis especificar se os docentes terão obrigatoriamente que permanecer três ou quatro anos na escola onde foram colocados ou se poderão concorrer a outra, ressalvando que «há muitas cambiantes técnicas ainda a definir para os diferentes tipos de professores».

O responsável referiu também que serão revistas «as dimensões dos quadros de escola e de zona pedagógica para que o número de docentes se ajuste às necessidades dessas mesmas escolas».

As novas regras do concurso de professores 2006/2007 terão de ficar definidas até ao final de Dezembro, em apenas três meses de trabalho que incluem negociações com os sindicatos do sector.

13/09/2005

Mais desigualdades?

Na minha escola descobriu-se uma forma fantástica de gerir os tempos não lectivos. Não sabendo o que fazer com as 4+2 horas que os docentes têm de "dar" à escola, determinou-se que:
  • 2 horas são para reuniões, não marcadas no horário
  • as 4 horas restantes serão ocupadas de acordo as propostas apresentadas pelos professores, detendo o Conselho Executivo o poder decisório na apreciação das actividades projectadas.
Há apenas um senão: uma vez que os professores mais antigos usufruem de redução da componente lectiva em função da idade, considera-se que não faz sentido que cumpram aulas de substituição uma vez que, nesse caso, estariam a anular o direito que lhes assiste. Logo, as aulas de substituição serão necessariamente dadas pelos professores mais jovens -- os contratados.

A ver se percebi: no limite, quem dá 12 horas semanais não pode dar 14; mas quem dá 22 pode dar 24.

Ainda bem que somos todos iguais.