29/09/2005

Vamos exigir as 35 horas!!!

Recebi esta mensagem por e-mail e quero partilhar convosco...

Aos meus colegas professores: espalhem-na a ver se algumas coisas são
esclarecidas...

Vamos passar a exigir as 35 horas semanais... Assim a nossa sociedade não pode acusar os professores de trabalharem pouco...
"Pois eles até se queixam! Querem trabalhar 35 horas... só pode ser porque REALMENTE trabalham mais". Os pais deverão passar a perceber melhor o que se passa...

Há muitos que realmente não se preocupam com o trabalho que fazem e quanto menos melhor. Mas desses há em todas as profissões!

O que quero é trabalhar 35 horas e não me preocupar mais com a escola.
Porque, se a ideia for as 35 horas MAIS não sei quanto fora de horas então que nos paguem para isso, pois não há dúvidas que os "gordos" vencimentos que nos pagam são para 35 horas. Então vai ser o bom e o bonito: "Tenham paciência, mas não trago os testes! É que os computadores estiveram toda a semana ocupados por outros colegas. Fiquei até à hora de sair a olhar para as moscas porque não tinha onde trabalhar (o portátil é MEU, é para actividades de lazer, a escola não mo ofereceu!). Depois fui passear com a família. Estava fora das 35 horas. Vamos ver se para a semana temos mais sorte!" Ou então: -"O Stora!!! Outra vez o mesmo CD??? Tenham lá paciência. mas já requisitei outros no ano passado (iguaizinhos a uns que comprei para me entreter enquanto brinco com os meus filhos depois das 35 horas). ainda estou à espera. mas esta música é muito interessante, ora vamos lá abordá-la de uma outra forma, de certeza vocês vão gostar muito." (É que os professores que não tiverem imaginação e uma atitude muito positiva, não são bons profissionais). Ou ainda: "Desculpem lá, mas vou ao cinema com a minha mulher! São 17h e não posso continuar nesta reunião!" (Claro que posso ser obrigado a isso. se pagarem as horas extraordinárias. ou um
suplemento de isenção de horário!") Já agora. e a propagada necessidade de formação contínua, de
actualização??? No meu tempo familiar??? NEM PENSAR!!! Só nas desejadas 35 horas!!!!

EU QUERO UM HORÁRIO DE 35 HORAS!!!! E QUERO ORGANIZAR A MINHA VIDA PROFISSIONAL À VOLTA DESSAS 35 HORAS!!!! Exijo que me obriguem a estar na escola 35 horas, e mais nada! Ou então. calem-se e não me falem mais nisso pois, com jeitinho, pego num cronómetro e passo a impor-me 35 horas, mesmo
que não mo obriguem!!! Não gozem comigo!
A sério, vamos pedir as 35 horas!
Já agora, gostava de ver um estudo comparativo, sério, entre diferentes carreiras de licenciados. Horários, remunerações, sistemas de saúde, etc. Também gostava REALMENTE de saber que raio de privilégios é que tenho! É que se me parece que a nossa carreira é uma aberração, com um topo decente mas uma metade inicial uma anedota, seria interessante saber e não só parecer.

E para acabar, porque será que uma profissão que dizem tão privilegiada também dizem que só tem aqueles que não encontram mais nada??? Gostava de perceber. mas sou professor, não chego lá!
Eu também quero trabalhar as 35 horas na escola! Mas quero mais... Quero tirar as férias em diferentes alturas do ano e não ter de gramar sempre o Agosto!!! Tudo tão caro nesse mês. Vou já escolher: quero uma semana em Março, outra em Novembro e duas semanas na 1ª quinzena de Julho! E vou vender o meu PC de casa porque vou conseguir fazer tudo na minha escola!! Vai ser fantástico!

Vamos todos lutar pelas 35 horas!
Eu também quero trabalhar as 35 horas na Escola. E, já que ficamos cada vez mais igualados aos outros funcionários públicos, também quero poder marcar férias fora do período que medeia entre 15/7 e 31/8 (ou uma semana além, por causa do Serviço de Exames). É que fora desse período gozo melhor as férias: - há menos gente e tudo sai mais económico. Quero também deixar de ter o porta-bagagens do meu carro transformado num escritório ambulante, carregando testes, apontamentos e livros de casa para a Escola e vice-versa. Também quero poupar nos tinteiros para a impressora, nas resmas de papel e na energia eléctrica que gasto em casa, à conta da necessidade de preparar aulas, instrumentos de avaliação, reuniões, etc.
E mais, quero almoçar a horas e com sossego. As sandes do bar da Sala dos Professores, ingeridas num curto espaço de tempo, já me estavam a fazer mal ao estomago. Também quero que as reuniões acabem a horas e não se prolonguem para além das 20 horas, já para não falar de alguns Pedagógicos em que a Ordem de Trabalhos traz assuntos mais complicados que vão para além dessa hora. Quero sair à noite descansadamente, para tomar um café, sem pensar que ainda tenho alguns testes para corrigir, algumas notas a rever por causa das avaliações intercalares, etc...

Vamos exigir as 35 horas na Escola!!!

Links úteis

Para quem anda à procura dos links das várias cíclicas, cá fica a informação:
primeira cíclica; segunda cíclica; terceira cíclica.

Boa sorte!

28/09/2005

Terceira cíclica

Já estão disponíveis as novidades da terceira contratação cíclica. Mais uma vez, não há muitos horários.

Acabou-se

O sonho, agora apenas uma ilusão triste, de pertencer aos quadros do estado, com todos os benefícios que daí decorrem, acabou-se. Conferir notícia do público (pequenina, lá num canto da secção de economia) em que o Ministro das Finanças afirma que «Só os trabalhadores ligados às funções de soberania terão estatuto associado à "imagem de funcionário público"». Aparentemente o ministro quer a lógica privada na função pública.
Nós, professores contratados, somos oficialmente tarefeiros.
PS: Os privados cumprem as regras de efectivação. O Estado não. Será que essa mudança de gestão implica também (finalmente) o cumprimento da lei geral? (x anos de trabalho = efectivação). Não acredito.

27/09/2005

O fórum Educare

Acompanho este fórum há mais de um ano e, para lá de muitas outras considerações que seriam possíveis, há uma que me parece particularmente importante. É que participam nesse fórum várias pessoas que, ano após ano, passam pelas mesmas angústias, os mesmos problemas, o mesmo desespero: o desemprego, o sub-emprego, a colocação tardia, a colocação a centensa de quilómetros da família, os filhos que se "abandonam", os sonhos que se desvanecem.
Olho para trás - já lá vão 11 anos a dar aulas - e lembro-me que, no início, também eu estava assim; que a pouco e pouco "as coisas" foram melhorando ao ponto de hoje a efectivação ser uma possibilidade em aberto - tanto quanto o abandono puro e simples da profissão, devo dizê-lo.
Só que, olhando para a realidade actual, olhando para os números e para muitos dos casos que conheço in loco, pergunto-me: valerá a pena tanto sacrifício? Ou antes: merecerá o ME que tantos professores passem por todo este drama existencial? Dou por mim a ver casos profundamente deprimentes em que a vontade de ser professor suplanta todas as barreiras, todas as dificuldades.
A todos aqueles que acreditam vai daqui um grande abraço.

Ainda as horas extraordinárias

No site da FENPROF há um aviso que reitera a ilegalidade das últimas "interpretações" da lei feitas pelo Ministério. Convém ler...

5 de Outubro

A 5 de Outubro comemora-se o Dia do Professor. Como o fará o actual Governo?

25/09/2005

País surreal!

Este ataque só é possível porque Portugal é uma república das bananas. Os mesmos que aplaudem Isaltinos, Valentins, Torres e Felgueiras vários por gozarem com o sistema judicial e político português (julgo que ainda é uma democracia, não é?) apontam o dedo aos professores por trabalharem pouco, apoiados pelo governo que diz isso explicitamente em cada nova notícia sobre educação que deita cá para fora. Perguntem aos psicólogos e psiquiatras o que se passa connosco se já não acreditam em nós. Ser Professor é duro. Muito duro. E as condições que tinhamos eram essenciais para desempenhar bem as nossas funções. Agora... vou começar a pensar primeiro em mim e só depois nos alunos. Apontem-me o dedo!

Ignóbil!!!

Ignóbil!!! Impôr decisões injustas, ilegais, imorais sem sequer as negociar é uma atitude ignóbil. Isto só tem um nome: fascismo. Em democracia os procedimentos são outros. Alterar a designação de tempos lectivos apenas para não pagar horas extraordinárias é uma postura fascista indigna de uma democracia. As aulas de substituição quando leccionadas por um professor de outra área disciplinar passam a designar-se actividades educativas. Desta forma, o governo livra-se de pagar horas extraordinárias.
Mas o que é isso de actividade educativa? Conversar sobre futebol com os putos? Passear pelos jardins com eles? Para realizar alguma actividade educativa não estarei a suar um tempo, dois tempos, três tempos lectivos??? Como posso realizar uma actividade se não participei na sua planificação, nem sequer conheço os alunos para saber como agir com cada um deles? Esses gajos do ministério nunca deram aulas numa escola real. Não fazem ideia nenhuma do que é ser professor. Querem nos dar uma nova função sem nos pagar por isso.
Estamos perante o mais grave ataque á nossa profissão. Onde está a greve? Onde estão os professores na rua? Onde está a desobediência civil (dentro da escola recusando o que é ilegal e injusto)? Temos que agir, colegas. E depressa. Daqui a pouco estamos a limpar o pó das mesas e a lavar os quadros no final do dia.

Caloteiros

Agora nem as aulas de substituição constituem componente lectiva, contrariando o que está estipulado por lei. Por outras palavras: em resposta à exigência de pagamento de horas extraordinárias por parte dos professores, o Governo prepara-se para negar mais esse direito. Mais lenha na fogueira...

23/09/2005

Perigos da contratação

Num mundo ideal, os professores seriam contratados por períodos longos pelas própias escolas, permitindo a cada uma escolher o seu próprio corpo docente. Eventualmente, os docentes teriam algo a ganhar com isso, pois poderiam negociar melhores contratos em função dos objectivos de ambas as partes.

No país real, o que temos é uma série de "esquemas" mais ou menos legais em que quem tiver mais habilidade passa a perna aos outros. Senão veja-se o que aconteceu aqui para perceber os riscos da contratação de professores directamente pelas escolas.

E na sequência do meu post anterior, questiono: é para isto que andamos a sacrificar as nossas vidas pessoais?

Continuo à espera de respostas.

Mudar de vida

Ganha-se mal; trabalha-se muito; não há reconhecimento social; gozam connosco; alguém me apresenta motivos para se querer esta profissão? Ando nisto há 11 anos e cada vez mais penso em mudar de vida. Mesmo para aqueles para quem ser professor é um sonho, um projecto de vida, pergunto: e vale a pena?

Responda qem souber.

22/09/2005

Ensino de Português no estrangeiro

O Governo vai acabar com o destacamento de professores de português no estrangeiro, a partir do ano lectivo de 2006/2007. Segundo afirmou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, no futuro "a situação normal será a via da contratação", já que o destacamento de 60% dos professores no estrangeiro representa um encargo muito grande para Portugal, que não se justifica". O concurso de 2006 terá já novas regras.

Formação profissional

Se o Governo conseguir requalificar profissionalmente um milhão de portugueses até 2010, muitos e muitos formadores serão necessários para o fazer. Ou não? Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

Dia de colocações

Hoje há cíclicas. Aos que estão desempregados, boa sorte.

20/09/2005

FENPROF

Vale a pena ler o que diz a FENPROF, bem como o que diz a FNE.
Só falta mesmo é uma greve nacional de Professores. Compreendo que os sindicatos não a façam. E fico-me por aqui.

17/09/2005

Os Professores são uns totós?

Trabalhando 35 horas por semana, quanto ganha por cada uma dessas horas um contratado, devidamente profissionalizado, com formação superior numa qualquer área científica, no índice 151? Fiz as contas e cheguei à conclusão que cada uma dessas 35 horas lhe rende €6,50, mais cêntimo menos cêntimo.

Os indiferenciados que andaram a pintar a minha casa, para lá das cervejas, cobraram € 7,5 por cada hora de serviços prestados.

Só posso concluir que o ME considera que os Professores são uns totós e, nessa qualidade, lhes paga o que merecem.

Para quem acha que os QE do último escalão ganham muito, cá vai disto: com as novas medidas impostas pelo governo, um QE com um vencimento líquido de € 1600 ganha a fabulosa quantia de €11,10. "Fantástico", para quem está no topo da carreira.

Acho que o ME tem razão. Fazíamos greve durante um mês e isto ia ao sítio. Mas a greve de um dia teve os resultados que se viu...

16/09/2005

Insultos?

Desculpem o desabafo desordenado, mas será que os professores não podem usar os adjectivos fascista e mentiroso relativamente a um governo que:
a) os impediu ilegalmente de fazer greve;
b) exigiu listas dos professores que, com coragem, e legalmente, fizeram greve;
c) está a aproveitar um processo de colocação de professores corajosamente encetado pela ministra Seabra do governo Santana Lopes (-volta, estás perdoada), sem nunca referir esse facto;
d) tem como secretário de estado um sujeito que se ri dos alunos e seus pais de Nisa. Sim. O tipo riu-se. Eu ouvi na TSF. Até o Carlos Magno (jornalista assumidamente socialista) na Antena1 referiu esse facto como uma falta de respeito inqualificável (ou talvez não... que tal... mmhhm ...fascista?) pelas pessoas de Nisa.
e) através do ministério da educação lançou uma campanha de descredibilização dos professores como nunca existiu em Portugal. Como se não bastasse a pouca consideração pública de que gozavamos. E apenas com objectivos de luta sindical: uma classe desvalorizada e mal vista não tem força junto da opinião pública. A seu tempo se verão as consequências disto.
f) ...

REQUERIMENTO PARA PAGAMENTO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS

Está no site so SPN um formulário para exigir o pagamento de horas extraordinárias em função das "aulas de substituição". Por mim, não deixarei passar a oportunidade.

A minuta é esta:

Exmo(a) Senhor(a)

Presidente do Conselho Executivo:

O dever de custódia consagrado no artº 10º, nº 2, alínea m) do Estatuto da Carreira Docente (Decreto-Lei 1/98, de 2 de Janeiro, alterado pelo Decreto-Lei nº 121/05, de 26 de Julho), prevê a "realização na educação pré-escolar e no ensino básico de actividades educativas de acompanhamento de alunos, destinadas a suprir a ausência imprevista e de curta duração do respectivo docente". Os artigos 82º, nº 3, alínea e) e 83º, nº 2 referem, por sua vez, que este trabalho de "substituição de outros docentes" se considera "serviço docente extraordinário".

Assim,.................................. (Nome), (categoria profissional, sector de ensino/grupo de docência) ......................, vem requerer o pagamento de ........ horas extraordinárias, prestadas no mês(es) de ..........., em cumprimento do disposto no artigo 5º do Despacho 17 387/2005, de 12 de Agosto, e que abaixo se discriminam por semana, para efeitos do cálculo do respectivo valor.


Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas

Semana de..................a.......................... -......... horas




Data e assinatura

15/09/2005

Já há cíclicas

Podem ser consultadas aqui. No relance que dei, parece-me que os resultados são piores do que aquilo que seria expectável. Boa sorte para todos.