25/11/2005

Permanência dos docentes na escola

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Gostei!!!

... em http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4196

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Agradecimento

Quero agradecer aqui o convite para membro deste blog, que muito me gusta visitar.
Em breve darei notícias.
Um abraço aos meus novos colegas blogistas. ;)

O método da mentira

Eu lia o escritor equatoriano com muita atenção, até ele mentir sobre mim sem sequer me conhecer. E acreditava no que ele dizia sobre outras actividades profissionais. Médicos, Políticos, Engenheiros, Promotores imobiliários, Juízes, etc. Acreditei até a mentira cair sobre mim.
Agora não acredito.
O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (Nunes da Cruz) disse com toda a clareza que o «governo mente intencionalmente aos Portugueses» sobre a actividade judicial. Há uns anos atrás eu, provavelmente acharia que se tratava de um desabafo sem fundamento, apenas revelador de interesses corporativos. Hoje não. Hoje sei que o Exmo. Sr. Juiz tem toda a razão. O método deste governo (e dos outros anteriores) é a mentira. Faz criar junto dos portugueses uma imagem falsa das classes que pretende atacar para poder actuar a seu bel-prazer sem provocar ainda mais insatisfação.
É o mesmo método utilizado com requintes de malvadez (disfarçada de santidade na expressão sempre angelical, diria quase sofredora) pelo ministério da educação. Daí que não me espante existirem muitos humbertos e anónimos por esse país fora, enganados pelo governo. Não sejam imbecis: o Governo controla a informação toda. Ainda por cima em questões em que o Bloco central está de acordo. O Debate na passada 2ª feira foi exemplo disso: A Ministra dizia «mata» e o Justino gritava «esfola». Os sindicatos assistiam.
O governo mente e as pessoas acreditam por defeitos próprios inimputáveis ao governo. O defeito de serem comodistas e não procurarem informação, e, pior do que isso, o defeito de falarem sobre um assunto baseados em dois ou três argumentos de senso comum.
É por estes dois defeitos serem muito bem distribuídos pela população portuguesa que temos sucessivos governos que ganham eleições prometendo não subir impostos e depois sobem. A mentira compensa. E nós, professores, estamos desarmados. Ensinamos a verdade nas escolas para a sociedade mostrar aos nossos alunos que a mentira é o método.
Lembram-se da canção do Sérgio Godinho sobre um tal de Casimiro? Apliquem ao vosso caso e tenham cuidado com as imitações...

O que a ministra da Educação não percebe

pode ser percebido aqui: http://serprof.blogspot.com/

23/11/2005

O Estado não tem dinheiro

E há que poupar . Compreende-se.

Lêmos, Lemos

Lêmos um pouco de tudo. Ou de nada.

22/11/2005

A profissão

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Continua actual ... oh, se continua!!!
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O artigo de José Manuel Constantino, de onde retirei este excerto, foi publicado na Horizonte - Revista de Educação Física e Desporto, em 1995 (!!!!!) ... acrescentem a todas as tarefas que ele refere, e em que nos perdemos e desgastamos, todas as que, para além desta data, foram ainda inventadas ... e depois, contabilizem apenas as horas de aulas, como sendo apenas as nossas horas de trabalho
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(...) "É inquestionável que os profes­sores sofrem as consequências da crise global que afecta todo o sistema de ensino e que tem como causa próxima as políticas educativas seguidas nos últimos anos, em Portugal e em todo o mundo ocidental.
Como escreveu António Teodoro - em local e momento que não sei precisar - «os professores acrescen­taram à sua função tradicional de transmissores de conhecimentos a de animadores culturais, de assistentes sociais, de responsáveis administrativos e políticos. Esta concepção multifuncional dos professores traduziu-­se num factor de perturbação, trans­formando os professores em verdadei­ras criadas para todo o serviço».
Esta concepção aliada a valores que invadiram a escola e que transformam o trabalho docente. em nome do sucesso educativo, numa «taylorização camuflada» criaram uma evidente crise de identidade, de gosto e de prazer pelo exercício da profissão. O que existe é insegurança, desconforto e mal-estar.
O professor viu desvalorizados os conteúdos culturais e formativos das respectivas disciplinas, a primeira razão de ser da sua profissão, em nome de um pedagogismo fala­cioso, e caiu no logro de passar «a viver» a escola. Que se traduziu em passar lá mais tempo a fazer um pouco de tudo e a ensinar cada vez pior.
Como se isto não fosse já sufici­ente, viu as suas condições de tra­balho piorarem, o seu sistema remuneratório ser progressivamente desvalorizado, as escolas serem transformadas em locais de violên­cia, e alunos, pais e administração a exigirem-lhe cada vez mais, quando não a responsabilizá-lo por as coisas não correrem bem.
"O professor mal pago, isolado, denegrido e humilhado, quer pelos alunos, quer pela hierarquia interiorizou esta sua condição e despreza o seu próprio trabalho"(12). E contrariado, é obrigado a par­ticipar em infindáveis reuniões para tudo e para nada. A fazer actas. A fazer planificações (a longo, médio e curto prazo) que quase sempre se transformam em meras idealizações que a prática concreta não confir­ma. A definir objectivos, os quais têm que ser gerais e específicos e obedecer a uma nomenclatura especializadíssima. A fazer avalia­ções as quais deverão ser formativas, sumativas e globais. A fazer matrículas. A organizar as tur­mas. A contabilizar as faltas dos alunos. A preencher pautas, fichas, parâmetros e outras papeladas. A elaborar horários. A decorar a es­cola. A pintar campos de jogos. A fixar cabides em balneários. A re­cuperar material. A organizar o in­ventário. A receber os pais. A dar mais atenção aos filhos dos outros que os próprios pais lhes dão. E fi­nalmente, também, a dar aulas. E aqui, a dispor de estratégias de remediação para tudo, em nome, de uma eventual «ciência» educa­tiva. Ou seja, a dar valor e importância a aspectos secundários e em alguns casos dispensáveis da acção docente e a se não dedicar ao essencial: a matéria de ensino e o acto pedagógico.
A extensão e a consequência desta situação está à vista de todos: transformados em «pau para toda a obra» têm do exercício da pro­fissão uma imagem que não está apenas desvalorizada aos «olhos dos outros»: ela está também instalada no seio dos professores. Basta para tanto que os oiçamos. E se possível, contabilizemos, quantos não muda­riam rapidamente de profissão se acaso a oportunidade surgisse(13). E quantos outros, não encontram em outras actividades profissionais ex­teriores à Escola, a compensação profissional que aquela lhe não oferece.
(…)
António Nóvoa, uma das pesso­as mais lúcidas no âmbito da for­mação de professores recorre a uma citação curiosa: «os conteúdos são o paradigma perdido da for­mação». É de facto aqui que reside parte dos problemas que é nossa responsabilidade procurar alterar. (...)
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12 - Dherbecourt, Un métier qui n`existe plus. Le monde de l`education nº5, 1975
13 - José Manuel Esteves, o Mal-estar docente, ed. Esher, 1992
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Novamente o absentismo

Não sou eu que digo:

a candidatura de Francisco Louçã distribuiu uma cópia de um artigo publicado na edição de 30 de Dezembro de 1993 da “Gazeta do Interior”, em que é feita uma referência à alegada perda de mandato de Valter Lemos como vereador da Câmara de Penamacor. "A Câmara de Penamacor reuniu, este ano, pela última vez, na Freguesia do Vale da Senhora da Póvoa. No encontro, que contou com a presença de todos os elementos do executivo, entre os quais João Manuel Gonçalves, que substitui Valter Lemos, que perdeu o mandato por excesso de faltas

in "Público"

Como disse?

"O país não conseguirá atingir as metas de desenvolvimento científico sustentado se não tiver professores motivados e preparados para formar os jovens". A convicção foi manifestada pelo professor catedrático Luís Peralta, à margem de uma palestra que, ontem, decorreu no Visionarium - Centro de Ciência do Europarque, no âmbito das comemorações da Semana da Ciência promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Em declarações ao JN, o professor e cientista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa considerou que "uma parte do problema do desenvolvimento científico reside em quem dá formação". Luís Peralta explica que "é importante motivar os jovens, mas também as pessoas que lidam com eles".

Acrescentou, ainda, que, "há muito que fazer nesse campo, porque a formação é esquecida". Defende, por isso, um maior número de acções de formação destinadas aos docentes. "Um bom professor influencia de forma decisiva no futuro de um jovem", concluiu.


in JN

21/11/2005

O problema do absentismo

também está em discussão aqui.

19/11/2005

O absentismo

O pasquim publicava ontem (há coincidências felizes...) uma notícia de um alegado estudo sobre o absentismo dos professores, afirmando que em 2004/5 teriam ficado por cumprir 9 000 000 de aulas, mais milhão menos milhão.

Tal notícia merece-me alguns reparos:
  1. Não é dito que durante o mês de Setembro e parte dos meses de Outubro e Novembro milhares de professores não estavam colocados, por incompetência da anterior equipa governativa;
  2. Não é dito que os Professores são obrigados a fazer formação contínua, o que os leva a faltar justificadamente;
  3. Não é dito que se um Professor fizer uma visita de estudo tem falta a todas as turmas ao longo do dia, ainda que estejaa trabalhar 10 ou 12 horas (ou mais, quando pernoita) ainda que ganhe exactamente o mesmo que ganharia se ficasse em casa; trata-se, portanto, de trabalho não remunerado;
  4. Não é dito que se um Professor chegar atrasado ao primeiro tempo de nada lhe vale ir ao segundo, pois é-lhe maracada falta na mesma, numa das mais aberrantes e irracionais medidas de que há memória;
  5. Não é dito que os Professores não têm direito a acompanhar filhos doentes se estes tiverem mais de dez anos;
  6. Não é dito que uma enorme fatia dessas faltas são compensadas à custa dos dias de férias a que todos os trabalhadores têm direito;
  7. Não é dito que se os Professores estiverem em serviço de exames podem ser dispensados da componente lectiva, pelo que, mais uma vez, têm falta embora estejam a trabalhar;
  8. Não é dito que se forem marcadas reuniões para o mesmo período em que decorrem as aulas, a reunião se sobrepõe às ditas aulas, pelo que mais uma vez o Professsor está a trabalhar embora tenha... falta;
  9. E não é dito que esses nove milhões estimados, dos quais 7,5 são confirmados, correspondem, afinal, a 5% do total de horas previstas
O que mais lhes terá faltado dizer?

Motivos para fazer greve

Veja-os aqui.

18/11/2005

Faço greve porque...

... sou insultado de cada vez que defendo a minha actividade profissional;
... porque me acusam de trabalhar pouco quando apenas tenho tempo para brincar com a minha filha ao fim de semana;
... porque as nossas escolas estão velhas, sujas, mal equipadas, frias, quentes, húmidas, etc.;
... porque a ministra faz o papel da injustiçada: a) oferece portáteis e oficinas que sabe que não pode dar porque não tem dinheiro disponível ou porque o ministro fantoche das finanças não lhe dará nenhum, b) pretende criar a ideia que os professores fazem greve de forma injusta, pois está a dar-lhes boas condições. COMO FOI POSSÍVEL A COLEGAS INTELIGENTES ACEITAR UMA MANOBRA DESTAS. Uma razão imagino: conluio.
... porque a ministra, e o seu secretário não têm postura ética suficiente para limpar as retretes do ministério: é impensável envenenar a opinião pública com um estudo, que afinal não passa de uma sondagem, acerca das faltas dos professores. Como se os professores fossem criminosos e faltassem contra a lei: os professores usam os «privilégios» que tem como qualquer outro trabalhador;
... os chamados depreciativamente «privilégios» não são mais do que condições essenciais ao bom desempenho da nossa função. Eles não são benefícios abusivos: são elementos fulcrais para o ensino funcionar bem;
... com as medidas fascistas deste ministério que pretendem transformar a nossa actividade docente em actividade discente;
... este ministério exige ocupação dos alunos mas rejeita propostas de clubes, oficinas, etc para conter despesas;
... este ministério exige turmas de 30 alunos para poupar nos salários dos professores. Sofrem os professores que tem menos horários. E os alunos? Aprenderão melhor num grupo de 30 ou num de 15? Eu não tenho dúvidas. Algum colega terá dúvidas? Não. Só o ministério se refugia na pretensa falta de fundamentação científica para negar a formação de turmas mais pequenas. Parecem as tabaqueiras a negar que o tabaco faz mal à saúde;
... o ministério nega aos alunos actividades extracurriculares onde poderiam passar o tempo dos «furos» com a política economicista sobre os «créditos». Funciona assim: se uma escola não atribuir os créditos horários que dispõe fica com esse dinheiro para outras despesas. Quem é o dirigente que gasta esse dinheiro todo em professores para orientar actividades quando pode receber esse mesmo dinheiro para pagar uma janela, uma porta, um armário ou uma cadeira que faz falta e que o ministério não paga?
... o ministério atira para os professores a responsabilidade de prender alunos em salas quando poderia oferecer outras condições de gestão aos conselhos executivos;
... estou farto de ser mal tratado quando tenho uma das profissões mais nobres que existem;
... estou com medo que daqui a uns anos nenhum ser humano com qualidade e excelência queira optar por esta carreira. Todos os actos de descredibilização do ministério terão essa consequência, inevitavelmente. Será o fim da esperança num ensino formativo de qualidade.

GREVE

Estamos em greve, porque queremos uma Escola Pública com qualidade.Estamos em greve, porque os Professores merecem respeito. Estamos em greve, apesar daquele sindicato ter traído os docentes portugueses. Estamos em greve, apesar de existir um certo sindicato que mais não é que a prostituta do Ministério.

Nós, Professores, que não temos vergonha de sair à rua, estamos em greve. Por nós, e pelo futuro dos nossos filhos.

17/11/2005

NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

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NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que SÓ nos congelaram o tempo para a progressão, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que SÓ nos adiaram e roubaram a aposentação, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que estas e outras medidas foram SÓ para diminuir o emprego docente, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que estamos mais motivados para desenvolver um trabalho de qualidade, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que, mesmo desmotivados, conseguimos um melhor trabalho, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que estas medidas foram para melhorar a qualidade do Ensino e da Escola Pública, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

Se entenderem que este governo (e esta ME...) nos pode continuar a atacar de todas as formas e feitios, NÃO FAÇAM GREVE, NÃO!

NÃO PENSEM E NÃO AJAM DE ACORDO COM A VOSSA DIGNIDADE, NÃO!

("roubado" no forum educare)


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l mota - grato ( 17-11-2005 1:11:00 )

16/11/2005

Eis o homem


A FNE não tem palavra. Pergunte porquê ao indivíduo que aparece na foto: secretario.geral@fne.pt

Ministério propõe à FNE acordo a dois dias da greve

Segundo o «projecto de protocolo de acordo entre o ME e a FNE», a que a Lusa teve hoje acesso, a tutela «compromete-se a ter em conta a opinião dos sindicatos, tendo em vista o aperfeiçoamento das regras» relativas aos despachos sobre a reorganização da componente não lectiva, as aulas de substituição e os horários escolares.

Numa declaração de intenções, as duas partes acordam «iniciar até ao final de Fevereiro o processo de negociação tendo em vista a revisão do Estatuto da Carreira Docente», nomeadamente no que diz respeito às condições de progressão na carreira e à definição das formas de compensação dos professores pelo desgaste profissional.

O secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, reuniu-se hoje à tarde com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, num encontro que cerca das 17:00 horas ainda decorria e de qual deverá sair uma decisão relativamente a este projecto de acordo.

Em declarações à agência Lusa, Arminda Bragança, da FNE, afirmou que «as negociações continuam a decorrer» e sublinhou que «ainda não há nenhuma desconvocação da greve» por parte desta federação.

Certo é que a FNE não irá participar na conferência de imprensa que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e o Sindicato Nacional e Democrático de Professores (Sindep) convocaram para as 18:30 de hoje para reafirmar as razões da paralisação de sexta- feira.

A greve e manifestação nacionais de sexta-feira foram decretadas conjuntamente por estas três federações sindicais de professores, numa conferência de imprensa realizada em Outubro.

Contactado pela Lusa, o adjunto da Ministra da Educação escusou-se a confirmar ou desmentir a existência do referido acordo com a FNE.


Diário Digital / Lusa

E viva...

... a mediocridade.

Licenciadas têm mais dificuldade em arranjar emprego e ganham menos

As licenciadas da Universidade de Lisboa (UL) que se formaram entre 1999 e 2003 têm mais dificuldade em aceder ao primeiro emprego do que os rapazes. E quando já trabalham acabam por ganhar menos do que eles. Não no início, mas no último emprego que declaram ter, registando-se uma diferença média de 140 euros em prejuízo das diplomadas. A média fica abaixo dos mil euros de ordenado mensal, quando, no caso dos licenciados de sexo masculino, é superior a 1100. (...)

Mas não é só no capítulo dos salários que se mantém uma discriminação mais do que constatada nas estatísticas internacionais e que parece continuar a afectar os jovens. Basta ver que 80 por cento dos que concluíram o curso entre 1999 e 2003 e que em Outubro de 2004 (data do inquérito) estavam desempregados eram raparigas. "Confirma-se a maior vulnerabilidade das mulheres ao desemprego, mesmo quando são detentoras de títulos escolares ainda raros no mercado de trabalho", lê-se no relatório realizado por Natália Alves.

(...)

Globalmente, a taxa de desemprego entre os licenciados da UL fixava-se em 2004 nos 10,2 por cento. E os cursos que mais contribuíam para esse número eram de longe os mais vocacionados para o ensino. A saber: Filosofia, História, Línguas e Literaturas. Em contrapartida, nenhum dos diplomados em Medicina ou em Medicina Dentária estava sem trabalho quando respondeu ao inquérito.


14 por cento trabalham em áreas diferentes do curso

Estes são os números médios, a situação difere bastante de curso para curso. Os licenciados em Medicina, Física, Informática e Farmácia começam desde logo a trabalhar. Direito, Filosofia, Geologia, História e Psicologia são, em contrapartida, áreas com baixa empregabilidade imediata.

Natália Alves, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, entende que tem de se relativizar esta "aparente" degradação das condições em que ocorre a primeira inserção dos diplomados. Para a autora do trabalho, a conclusão que se pode tirar é esta: "As dificuldades de inserção dos diplomados no mercado de trabalho não devem ser sobrevalorizadas e torna-se evidente que não há razões para o "alarmismo" que, por vezes, existe na sociedade portuguesa. Não só as taxas de desemprego entre os diplomados continuam relativamente moderadas - ainda que muito desiguais consoante os cursos -, como Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com níveis mais baixos de qualificação universitária da população."

As respostas e experiências dos diplomados deixam ainda bem claro que a posse de um diploma e a classificação final do curso continuam a ter uma importância significativa no acesso mais ou menos rápido e na "qualidade" do emprego.

Ainda que, globalmente, 23,3 por cento de inquiridos tenham tido um primeiro emprego para o qual estavam sobrequalificados, apenas nos cursos de Medicina, Medicina Dentária e Farmácia não se encontrou um único licenciado que tivesse tido uma ocupação para a qual tinha "excesso" de qualificações.

Outro dado indicativo de uma maior dificuldade na procura do trabalho está patente no aumento de cinco pontos percentuais (entre os estudos de 1994-1998 e os de 1999-2003) da taxa de diplomados que exerceram o primeiro emprego numa área de actividade totalmente diferente daquela em que se formaram e que chega agora aos 14 por cento.

aulas de substituição


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