- enquanto os "srs que nos desgovernam" não perceberem que o problema do país não é um problema de trabalho, mas sim de gestão;
- enquanto os srs que nos desgovernam" não perceberem que são eles que destroem o país colocando nos postos chave os amigos que nada percebem de gestão mas que têm bolsos largos prontos a encher.
24/11/2011
Hoje é (foi) o dia... e, de hoje para a frente, serão todos os dias
15/10/2011
Ainda acreditam neles?!
12/04/2011
Eleições e escolhas
01/04/2011
A 3ª Guerra Mundial está aí. Só diferem as armas, a intenção é a mesma.
15/03/2011
É a pequenez dos homens que nos governam
11/03/2011
Nós?!... nós descendemos dos que ficaram por aqui...
.
(estes foram dos que vieram, ficaram... e ainda hoje se sentem)
15/09/2010
O sonho dos nossos donos... e o nosso pesadelo.
Alguém vê a diferença entre o sonho americano e o português?
A educação será mesmo uma meta desta gentinha?
09/01/2010
E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola...
Foram, nuns casos, os equívocos, noutros, as pressas, ainda noutros, a falta de orientações concretas e atempadas. Tudo isto, associado às prepotências de avaliadores e directores, fez com esta avaliação se transformasse numa opereta de mau gosto só aplaudida pelos encenadores e pelos coreógrafos.
Eu que sou de desporto, nunca consegui perceber como é que as regras variam a meio de um campeonato, de como é que se vão inventando regras à medida que o jogo vai decorrendo e, de como é que a minutos do apito final os árbitros ainda nos vêm dizer que falta aplicar algumas regras.
E eu que sou de educação física sei que há diferenças entre uma coisa chamada desporto e outra chamada jogos tradicionais e/ou populares. E essa diferença é enorme. E é essa grande diferença que faz a diferença naquilo que nos está a acontecer com esta avaliação. Estamos a fazer jogos tradicionais numa coisa que é um campeonato desportivo.
Para quem não sabe, a diferença que separa estas duas matérias é a sua forma de regulamentação. No desporto, todas as modalidades se jogam com as mesmas regras em todo o mundo. Nos jogos tradicionais, para um mesmo jogo, as regras variam de país para país, "da minha rua para a tua rua". E é este o grande problema desta avaliação, cada um joga com as regras da sua rua para depois ser comparado no campeonato do “mundo” inteiro.
Num dia, por coincidência, o mesmo em que o “outro” brindou a assembleia com um par de cornos, mostrando a todos a idoneidade dos nossos “eleitos”, tive que estar numa “acção” sobre classificação (está entre aspas porque uma acção com a importância desta se resumiu a uma informação de 4 horas). Quer isto dizer que esta “acção” que deveria constituir um dos preliminares deste processo, é a parte final do dito.
E depois falem-me de coerência, de boa gestão, de boas práticas, de coisas pensadas com tempo.
Nessa acção, para além de ter tido a certeza da importância e necessidade do cumprimento de muitos itens que eu vinha defendendo como obrigatórios e imprescindíveis, de acordo com a legislação em vigor, e que não existem na maioria das escolas/agrupamentos, fiquei a saber como se iria processar a dita classificação, isto é, a transformação de uma dita avaliação de desempenho num processo de seriação de professores.
Para começar, a formadora informou-nos de coisas, pelas quais me consideram louca quando chamo a atenção para a sua não existência, tais como as que se seguem. Para qualquer “evidência” pedida teria que haver instrumentos de análise e respectivos critérios de êxito, o que implica que toda aquela gente que andou a pedir “portafolhas” com tudo e mais alguma coisa, teria que ter uma folha de análise com os respectivos critérios definidos e bem expressos e divulgados a toda a comunidade, assim como o respectivo registo avaliativo para cada uma das evidências pedidas. Que eu saiba, da minha escola e das escolas de colegas com quem falei, nada disto existe e quando existe consta de umas generalidades, onde a apresentação, a quantidade e outros itens semelhantes são os factores a ter em conta. Teria que haver, estabelecidos em tempo útil, critérios de diferenciação, para o caso dos Exc e MB excederem as quotas, poder haver um desempate criterioso. Também, todos os itens do director teriam que ter indicadores e critérios de êxito bem definidos e divulgados a todos que permitissem a diferenciação. Por exemplo, teria que haver uma definição do que era o empenho e de como se diferenciava, assim como de todos os outros parâmetros. Um dos exemplos que deu foi: aula de substituição – deu a aula, cumpriu o serviço; deu a aula, elaborou uma ficha de revisão, falando do que fez, do que ficou por fazer, das dúvidas que ficaram nos alunos, etc - cumpriu mais do que apenas o serviço, (claro que isto é quase impossível de realizar porque não faríamos mais nada do que andar com um bloco para registo de tudo e mais alguma coisa), mas foi o exemplo que deu para mostrar que as coisas não deviam ser feitas a olhómetro, como aconteceu em quase todo o lado, por não haver indicadores, especialmente no que diz respeito à avaliação dos directores, que permitissem medir a diferença (pelo que ouvi, raros teriam indicadores para os seus parâmetros).
Cingindo-me, nesta breve mostra de como tudo isto não passou de folclore, vou falar apenas das indicações para a avaliação do director que a foi a que aconteceu para a maioria de nós.
Como eu defendia e a maioria dos directores (e mesmo o ME) não queria aceitar como legal, no ponto A1, respeitante à assiduidade, todos teriam que ter Excelente (10). A não ser que se tivesse sido suspenso, preso ou tivesse faltas injustificadas, todos estavam dentro da lei e não poderiam ser prejudicados desde que não tivessem ultrapassado os limites previstos na legislação. A lei, especialmente quando essa lei é geral, não pode conduzir a penalizações determinadas em leis “menores”.
Punha-se então o caso do ponto A2 – o empenho. E era aqui que teria que ser feita a compensação à assiduidade, foi esta a sugestão da formadora para não sobrecarregar a Comissão de Avaliação com a escolha dos “premiados com o mérito”. E foi aqui que muitos directores (como o meu) resolveram utilizar o factor de compensação, dando regulares e insuficientes para compensar os excelentes do A1. A maioria sem critérios estabelecidos, sem indicadores que fizessem a diferença.
E como o A valia a dobrar também foram compensando “porifora”.
Só que este problema só se punha com a possibilidade dos Exc e dos MB.
Poucos foram os que não perceberam que não tinham que fazer compensações porque se não havia aulas assistidas (para a maioria), não tinham mais do que dar a notação que cada um valia, sabendo de antemão que todos teriam Bom. E houve Bons com 8 e com 9 em algumas escolas demonstrando o real valor das profissionais. E houve outras em que as pessoas foram avaliadas com as compensações tendo que ter notações “negativas” mesmo que não as merecessem para compensar a assiduidade.
E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola.
Estes foram alguns dos problemas desta avaliação que por si só a tornou uma fantochada.
Mas isto agrava-se quando ficamos a saber que a primeira coisa que o director tem que fazer, quando inicia o processo de classificação on line, é “parametrizar a ficha”, isto é, abrir as fichas e transformá-las de acordo com a escola. Por exemplo, não vai avaliar o A5, assinala-o e esse campo passa a “não aplicável” e desaparece da ficha, ou pode alterar o texto de um parâmetro, ou acrescentar um parâmetro, etc.
Vocês sabem quais os parâmetros (e em que moldes) em que os vossos directores vos avaliaram? Eu, até hoje, continuo a não saber. Não faço a mínima ideia…
Depois da parametrização o director inscrevia em cada professor a sua condição de avaliado: coordenador, avaliador, avaliado, com aulas assistidas, sem aulas assistidas, etc. Conforme a “condição” do professor assim se abriam ou fechavam campos de classificação.
Para além disto, como explicou a formadora, o avaliador apenas tem que inscrever, no parâmetro, a avaliação qualitativa atribuída ao professor. Explicou mais, explicou que automaticamente o programa assume essa avaliação pelo valor máximo. Por isso me tem feito tanta confusão algumas notações que foram aparecendo aí pela blogosfera, nomeadamente umas que davam resultados até às milésimas.
Tanto quanto sei, também os avaliadores de aulas assistidas entraram nesta brincadeira das compensações para não criar problemas à comissão. Em cada “categoria” foram determinadas, a priori, as pessoas que iriam ter mérito e depois as avaliações/classificações foram atribuídas de acordo com essa determinação. Isto passou-se numa escola onde todos tiveram, obrigatoriamente, aulas observadas nos 2 anos (a titulo experimental, foi o que foi dito e decidido em CP). Só que "este a título experimental" foi obrigatório e teve resultados! Resultados que diferenciam! Resultados que vão contar para a carreira! Resultados que colocam em cheque as quotas porque muitos professores se sentiram prejudicados porque comparativamente, dentro dos grupos, as diferentes categorias em resultado das compensações viram o seu trabalho não valorizado nuns casos e sobrevalorizado noutros.
E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola.
E nem vos conto o meu caso e o caso da minha escola porque nem vale a pena!
12/09/2009
Palhaço rico, palhaço pobre
Já aqui disse, e reafirmo, que a diferença salarial entre os professores no início e no final da carreira é obscena. Agora, é a própria OCDE quem o afirma: aqueles que nem carreita têm são os que ganham menos, enquanto que os que têm um lugar assegurado são, precisamente, os que ganham mais.
A impressão que dá é que houve alguém que comeu tudo, e para os outros já não sobrou nada. E se me vierem com a treta da solidariedade intergeracional, fico à espera que o exemplo venha de cima.
O documento foi elaborado com base em dados estatísticos que vão até 2007.
28/08/2009
Mais valia reprovar
A abertura da escola pública a todos afastou dela as classes de maiores posses. Isto acabou por transformá-la num factor de exclusão social
O governo apresentou esta semana os números relativos às taxas de insucesso escolar em 2008/2009. Segundo os jornais, a retenção - vulgo "reprovação" - diminuiu quase para metade nos últimos quatro anos, cifrando-se agora em 7,7% no básico e em 18% no secundário. Para o primeiro-ministro, aqueles que consideram que estes resultados são um produto do facilitismo estão a insultar os professores, os alunos e as suas famílias. No entanto, os próprios professores, os alunos e as suas famílias não terão qualquer dificuldade em reconhecer que esse mesmo facilitismo se instalou, paulatinamente, no nosso sistema de ensino.
O sucesso de um sistema educativo mede-se por testes internacionais que permitem a comparação entre diferentes sistemas, e não pela diminuição das taxas de reprovação. A associação do sucesso escolar à mera passagem de ano é apenas um dos muitos reflexos da ideologia que fez passar a escola de um lugar para aprender num instrumento de inclusão social. É da mais elementar honestidade admitir que a origem desta ideologia é o pensamento da esquerda e uma visão irreflectida das implicações do ideal de igualdade. No entanto, o sucesso da ideologia da escola inclusiva foi tal que ela se tornou politicamente transversal. Um dos principais responsáveis pela sua propagação no nosso sistema de ensino foi Roberto Carneiro, um político da direita conservadora e que ainda ontem veio, sem surpresa, aplaudir publicamente os resultados apresentados pelo governo.
Porém, mais cedo ou mais tarde teremos de nos confrontar com a realidade: na situação a que as políticas da escola inclusiva conduziram o sistema educativo, ele deixou de ser um trampolim para os desfavorecidos pela lotaria social. Pelo contrário, a inclusividade da escola levou as classes altas e médias a trocar o sistema público pelo privado ao nível da educação pré-universitária. O resultado final deste processo é um típico efeito perverso: a transformação da escola pública, que pretendia promover a inclusão, num factor de exclusão social.
Professor de Teoria Política
11/03/2009
Sintam o nó na garganta...
Um dia o filho pergunta ao pai:
"Papá, vens correr comigo a maratona?"
O pai responde que sim, e ambos correm a primeira maratona juntos.
.
Um outro dia, volta a perguntar ao pai se quer voltar a correr a maratona com ele, ao que o pai responde novamente que sim.Correm novamente os dois.
.
Certo dia, o filho pergunta ao pai: "papá, queres correr comigo o Ironman?(O Ironman é o mais difícil...exige nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 )E o pai diz que sim.Isto é tudo muito simples...até que se vejam estas imagens...fantástico!
.
.
.
.
(recebido por mail)
10/03/2009
Lá como cá
Foi o que a imprensa noticiou recentemente, informando sobre o recente Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC). É o segundo ano consecutivo em que o MEC registra a redução. Em 2007, formaram-se 4,5% a menos que em 2006 e 9,3% a menos que em 2005. As áreas mais atingidas foram Letras, Geografia, Química e Filosofia. Outra informação do MEC é que existem, pelo menos, 300 mil professores ministrando aula em áreas que não são as de formação.
Os dados comprovam o que há muito se vê e se sente na sociedade brasileira: professor trabalha muito e ganha muito pouco. Quem quer viver essa situação? O retorno é desproporcional ao empenho necessário à rotina de trabalho. Não há tempo hábil para o aprimoramento do ofício, para o planejamento das aulas.
Esse sofrimento atinge a tantas pessoas que ficou comum. Virou até piada. O humorista cearense Chico Anysio nos fez dar boas gargalhadas quando seu personagem televisivo, professor Raimundo, ralhava com seus alunos pela falta de interesse quanto aos estudos, e, pelo baixo salário que recebia. Risadas à parte, o professor merece respeito.
A educação é o setor mais importante de um governo. Por meio dela, saem os empregadores e os empregados. A economia é movimentada. Dá-se vida à sociedade. A garantia do piso salarial nacional aos professores é um início, a revisão do Plano de Cargos Carreiras e Remuneração é um avanço. Precisamos priorizar a capacitação do Magistério. E, ainda, acelerar a melhoria das condições de trabalho e remuneração para que ele se transforme em profissão almejada pela juventude. A qualidade da educação no Brasil depende disso.
ARTUR BRUNO
Deputado estadual PT/CE
abruno@al.ce.gov.br
03/03/2009
Para meditar #2
09/02/2009
Para meditar
Vitor Hugo
.
.
.
Os lobos e os carneiros
.
Planejavam os lobos surpreender um rebanho de carneiros. Mas graças aos cachorros guardiões, não podiam faze-lo. Então decidiram empregar a sua astúcia.
Enviaram uns delegados aos carneiros para pedir-lhes que entregassem seus cães, dizendo-lhes:
.
Os cachorros são os causadores de que haja inimizade entre vocês e nós. Só precisam entrega-los e a paz reinará entre nós.
Os ingênuos carneiros sem suspeitar do que sucederia, entregaram os cachorros, e os lobos, já livres dos cachorros, se apoderaram sem problemas do rebanho.
MORAL: Nunca entregues aos inimigos, os que te dão apoio e proteção!
.Esopo (?)
roubado aqui: www.sdr.com.br/Jornais/330/cartas.htm
Cíumes?! ...
25/01/2009
Confirmação da decisão de suspensão
..
(Re)situando: Objectivos individuais entregues; aulas já em processo de observação (só eu tinha observado 8, ainda me faltavam faltavam 9, neste 1º round); desencanto de todos; mal estar devido a situações completamente aberrantes. (esta situação passava-se à altura da 1ª decisão - http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/11/deciso-de-suspenso-de-todas-as.html
.Exma. Senhora Ministra da Educação
Com conhecimento a:
Presidência da República
Governo da República
Procuradoria Geral da República
Plataforma Sindical
Comissão de Educação da Assembleia da República
Grupos Parlamentares
Direcção Regional de Educação de Lisboa
Órgãos de Comunicação Social
ASSUNTOS:
- Continuação da decisão de suspensão das actividades inerentes à implementação do actual modelo de avaliação.
- Pedido de revogação do actual modelo de avaliação de desempenho e revisão ou mesmo revogação do estatuto da carreira docente (e ainda de outros diplomas)
Os professores do Agrupamento de Escolas Carnaxide – Portela, subscritores deste documento, tendo decidido em 19 de Novembro p.p. suspender todos os procedimentos inerentes à avaliação de desempenho introduzida pelo Decreto-Lei nº 15/2007, de 19 de Janeiro e regulamentada pelo Decreto-Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, reuniram-se para reanalisar a sua posição face ao novo documento emanado do Ministério da Educação, o Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009 de 5 de Janeiro.
Saliente-se que este último remendo numa legislação já tão esquartejada e já tão desfigurada, apesar de manter a mesma estrutura, veio criar ainda mais estupefacção aos professores, que no terreno exercem todos os dias a sua profissão, ao perceberem quão distante da realidade se encontra quem legisla.
Este novo diploma, na sua ânsia de implementar um modelo desprestigiante para a classe, sem parar para ouvir quem sabe da sua profissão, das condições do seu exercício e do que é importante considerar na sua avaliação, enferma ainda de mais erros do que o anterior:
1 - mantém o pressuposto de que os professores aceitam a divisão em duas categorias com todos os prejuízos que essa divisão acarretou;
2 - continua a confundir mérito com progressão, ao atribuir quotas para a avaliação impedindo, desta forma, o reconhecimento do verdadeiro valor profissional dos professores;
3 - alega que os professores têm que ser avaliados porque disso depende a melhoria do ensino, no entanto, dispensa a maioria dos professores da avaliação científico-pedagógica;
4 - cria diversos segmentos de professores, tentando dividi-los, para tentar implementar o modelo, criando verdadeiras situações de desigualdade e de discriminação ao dispensar, automaticamente, diversos grupos ou da globalidade da avaliação ou de segmentos dessa avaliação:
a) Os dispensados da avaliação (art. 12º e art.13º - os docentes que, até ao final do ano escolar de 2010-2011, estejam em condições de reunir os requisitos legais para a aposentação ou requeiram, nos termos legais, a aposentação antecipada; e os docentes contratados em áreas profissionais, vocacionais, tecnológicas e artísticas, não integradas em grupos de recrutamento)
b) “Os dispensados da avaliação científico-pedagógica ” e exclusivamente avaliados pelo órgão da direcção executiva (art. 10º e 11º ,nº 3):
- Professores coordenadores de departamento,
- Professores titulares avaliadores de docentes,
- Professores não titulares, nomeados em comissão de serviço como titulares para exercício da avaliação de docentes,
- Professores dos Conselhos Executivos com funções lectivas (que podem ou não ser titulares)
c) Os também “dispensados da avaliação científico - pedagógica” e igualmente avaliados pelo órgão da direcção executiva mas que, ao contrário de todos os restantes, para poderem concorrer às vagas de Muito Bom e Excelente serão (e apenas estes) obrigados à avaliação científico-pedagógica que terão que requerer (nº2 , art.3º do decreto regulamentar nº 1 - A/2009 e não abrangidos pelos art. 10º e 11º, nº3)
- Professores titulares que não avaliem outros docentes,
- Professores não titulares
- Professores contratados
5 - secundariza totalmente a função primária do professor, remetendo-a para segundo plano, ao considerar que só aqueles que desejem ser classificados com Muito Bom ou Excelente requeiram a observação de aulas; esquece que o brio profissional dos professores os leva a procurar a excelência, o que faria com que todos exigissem aulas assistidas, já que como afirmou o Sr. Secretário de Estado Jorge Pedreira, os professores são como os ratos, pois a eles adapta-se o provérbio chinês: «Quando se dá uma bolacha a um rato, a seguir ele quer um copo de leite»,
6 - ao dispensar a maioria dos professores da sua avaliação científico-pedagógica e ao dar a possibilidade aos não dispensados de não requererem (de uma obrigação passou-se à necessidade de um requerimento (?!) e a ter que se escolher se são duas se três?!)) aulas assistidas, desde que se contentem com uma avaliação de Bom, remete a totalidade da avaliação dos professores para um único avaliador - o Presidente do Conselho Executivo;
7 - ao remeter a avaliação para o Presidente do Conselho Executivo, a avaliação que este decreto regulamentar enquadra passou a reduzir-se apenas ao aferir de questões organizacionais e ao cumprimento de conteúdos funcionais inerentes à componente não lectiva, continuando a utilizar, para o efeito, medidas equacionadas em função de conceitos, extremamente subjectivos, tais como empenho, disponibilidade, …;
8 - faz depender a avaliação dos Presidentes dos Conselhos Executivos de quem exerce um cargo de nomeação política, tentando colocá-los numa situação de incompatibilidade entre quem os elegeu e a tutela, ao pressioná-los através desse tipo de avaliação; a avaliação das escolas e consequentemente dos seus actores depende da Inspecção Geral de Educação e o acompanhamento global do processo de avaliação dos professores da I.G.E. em articulação com o Conselho Científico (DL 15/2007)
Tendo analisado o referido diploma, os professores deste agrupamento reiteram a sua decisão de manter a suspensão de todos os procedimentos relativos à implementação do modelo de avaliação preconizado tendo em conta que as alterações propostas em nada modificaram o modelo.
Os Professores do Agrupamento de Escolas Carnaxide – Portela continuam a advogar:
1 - um modelo de avaliação consistente, que seja formativo e não punitivo, que motive os professores, valorize a qualidade do seu trabalho e o prestígio da escola pública;
2 - um modelo de avaliação que seja resultante de um amplo debate nacional entre professores, seus legítimos representantes e a tutela;
3 - um modelo de avaliação sujeito a experimentação e validação antes de ser generalizado;
Por tudo o que ficou expresso e pelo muito que ainda se poderia dizer, os professores deste agrupamento consideram da máxima importância:
· a revogação do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, tornado “simplex” pelo Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009 de 5 de Janeiro, dando lugar à introdução de um modelo que seja realmente capaz de avaliar o desempenho dos docentes, pelo reconhecimento da especificidade dos seus conteúdos funcionais e pelo contexto em que se desenvolvem;
· a revisão do Decreto-Lei nº 15/2007, de 19 de Janeiro, nomeadamente nos articulados que se referem à divisão da carreira em professores e professores titulares, à avaliação de desempenho e às quotas para as classificações dela decorrentes ( e neste ponto, por se tratar também de uma avaliação sem sentido, a abolição da prova de ingresso);
· a revisão da Lei n.º 3/2008 de 18 de Janeiro, no que se refere aos efeitos maquiavélicos resultantes da falta de assiduidade;
· a revogação do Decreto-Lei nº 75-2008 de 20 de Abril que transporta em si articulados que vão agravar ainda mais uma possível má implementação dos diplomas citados anteriormente e para os quais também se pede a revogação ou a revisão.
· um diploma de concursos justo e digno
Os professores deste agrupamento repudiam, também, a sistemática falta de respeito demonstrada por esta classe profissional, quer no tratamento com que é brindada em qualquer entrevista dada pelos elementos da tutela, quer nas negociações sobre os diversos itens, quer ainda pela chantagem e ameaças feitas através dos Órgãos de Comunicação Social, situações que em muito têm contribuído tanto para o mal estar sentido pelos professores, como para o desinteresse e indisciplina manifestados pelos alunos.
Convictos, que desta forma, contribuem para a dignificação de uma vocação, a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos alunos e da qualidade do serviço público de educação.
Agrupamento....
Os signatários
23/01/2009
Francisco Queirós
Discurso da tomada de posse do director da Escola Secundária de Paredes
1. Os estudantes reclamaram, na semana passada, a demissão da Senhora Ministra da Educação, protestando contra a figura do director de escola.
Nas duas marchas da indignação, em Lisboa, onde estive presente, 120 000 professores aprovaram moções rejeitando a figura do director de escola.
A Plataforma Sindical dos professores chama comissários políticos aos futuros directores de escola.
Os jornais falam, no mesmo parágrafo, do guloso suplemento remuneratório dos directores de escola e do prato de lentilhas que Jacob vendeu a Esaú.
Compreendam, pois, que eu não deva nem queira permanecer em silêncio, nesta sessão de tomada de posse como director da escola secundária de Paredes.
2. Nós, os membros do Conselho Executivo que hoje cessa funções, tomámos posse no dia 9 de Junho de 2005. Completámos os 3 anos de mandato, portanto, no passado dia 9 de Junho de 2008, dia em que a legitimidade democrática de que estávamos investidos foi substituída por uma espécie de unção administrativa, que tolhe e embaraça quem desconfia da santidade dos óleos da tutela.
Solicitámos por isso ao Senhor Presidente da Assembleia de Escola que, à medida da lei, desencadeasse com urgência o processo de eleição do director.
Mandava a prudência que eu não me tivesse apresentado como candidato a director. Lembre-se o Verão quente de 2005, marcado por uma inédita, e, à época, abusiva, requisição civil dos professores vigilantes dos exames nacionais. Lembre-se a duplicação do horário de trabalho dos professores mais velhos. Lembre-se a reforma fruste da educação, que todos conhecemos, contestada nas manifestações gigantescas de Lisboa e nas duas greves que paralisaram a escola.
Vacilei, contudo, na virtude cardeal, quando deixaram em cima da minha secretária de trabalho um rol de folhas assinadas pela esmagadora maioria dos professores e funcionários da escola, a solicitar que me candidatasse ao cargo de director. Como já tinha vacilado naquele Março marçagão, com cheiro de Abril, enquanto descia pela avenida da Liberdade, respirando o ar puro da solidariedade, bem longe da abafação que se vivia na escola.
3. A verdade é que este não é um tempo para faltas, omissões ou cobardias. Basta os que – porque estão doentes ou porque estão velhos – já solicitaram a sua resignação, aliás, justa e merecida.
Por mim
Não me conformo com a falta de autonomia da escola pública e com esta tradição secular de obediência submissa que faz vergar os joelhos e perder altura; Não me conformo com os discursos macios que querem encher a escola de objectividade, de mensurabilidade e de constrangimento; Não me conformo com os programas disciplinares mal feitos e com as disciplinas que são só áreas curriculares e não têm programas; Não me conformo com a concorrência desleal dos cursos por equivalências ou por competências, que se concluem num par de semanas; Não me conformo com o número esmagador de 17 disciplinas dos alunos do ensino básico; Não me conformo com uma escola de falsas ilusões que não promove a cultura, nem o método, nem o rigor, nem a exigência, nem a disciplina, nem o trabalho; Não me conformo com as actividades de recreio que infantilizam os alunos, confundem os pais e diminuem os professores, e são desonestamente conhecidas como aulas de substituição; Não me conformo com a lei do subsídio que distingue os alunos à porta da cantina pela cor do bilhete que exibem; Não me conformo com o estatuto do aluno nem com direitos associativos e reivindicativos de crianças com 10 anos de idade; Não me conformo com a maré viva de dinheiro arrastado pelo ensino profissional a troco de aprendizes incompetentes e de estatísticas balofas; Não me conformo com um sistema competitivo perverso de acesso ao ensino superior que distribui de forma igual a angústia pelos filhos e pelos pais; Não me conformo com a avaliação do desempenho dos professores porque abjuro a avaliação do desempenho dos pais; Não me conformo com o estatuto da carreira docente que separa, divide e afronta os professores; Não me conformo com os pais que não reconhecem o trabalho supletivo excepcional da maioria dos directores de turma; Não me conformo com o vencimento ofensivo que o Estado paga aos funcionários administrativos e aos auxiliares educativos; Não me conformo com a quota de 5% de excelentes na avaliação anual dos funcionários nem com os efeitos práticos dessa avaliação – um aumento líquido de 17 euros para 3 anos consecutivos de classificação excelente; Não me conformo com um sindicato manso que não reage à despromoção do vínculo laboral dos funcionários públicos que perderam no dia 1 de Janeiro de 2009 a nomeação definitiva que os ligava ao Estado; Não me conformo com a falta de qualidade dos transportes escolares; Não me conformo com o frio regelado das nossas salas de aulas; Não me conformo com uma escola sem balneários individuais que protejam a intimidade dos alunos; Não me conformo com uma escola sem posto médico e com quartos-de-banho medievais; Não me conformo com a falta de condições de trabalho dos professores; Mas também não me conformo com a requalificação escolar, se o preço a pagar for o do ajuste directo até 1 milhão de contos; Não me conformo com a escola a tempo inteiro – espécie de entidade adoptante afectiva que absorve o tempo e o direito dos pais a estarem com os filhos; Não me conformo com o fim da gestão democrática das escolas e deixo aqui o compromisso público de renunciar ao lugar de director da escola se a maioria dos professores reclamar um exercício incompetente. Não me conformo com o dia do prémio do diploma porque a escola não presta tributo ao dinheiro mas aos anjos da catedral de Chartres; Finalmente, não me conformo com a avaliação dos professores porque depende de um “perfil ideal de aluno” e eu acredito que a liberdade tem asas de oiro.
4. Reforço a preferência, já manifestada em outro lugar, pela subjectividadeão em vez da objectividade, pela conversação em vez da comensuração e pela persuasão em vez do constrangimento.
É urgente tomar o espaço de intervenção. O núcleo da questão é, claro, a autonomia da escola. Está visto que o caminho a percorrer não pode ser apenas o da auto-avaliação e o da avaliação externa – caminho que, à sombra da política real, apenas valida o príncipe de Salina; é necessário mudar mais do que uns fragmentos, e escolher novos parceiros para o caminho – necessariamente os pais e a autarquia.
O sentido só pode ser o da crença na comunidade educativa local inscrita na matriz anglo-saxónica do associativismo. O que se propõe é aceitar o desafio que o futuro próximo há-de trazer, o de desligar a escola do poder central e vinculá-la ao poder local. Fora deste caminho, a escola pública irá transformar-se lentamente na escola daqueles que estão fora do arco social; os outros, como já está a acontecer, rumarão para as escolas particulares.
Uma última palavra de enorme satisfação para dizer que os professores João Ribeiro, Paula Costa e Marília Gomes aceitaram fazer parte da próxima direcção executiva da escola.
Queria também reconhecer publicamente, à professora Maria Manuel Fernandes, o serviço prestado à escola e a dedicação carinhosa e permanente aos alunos, principalmente àqueles que mais precisavam – os do regime educativo especial.
5. Por singular coincidência esta cerimónia coincide com a tomada de posse do presidente dos Estados Unidos. Faço aqui o voto de que alguma da chuva de esperança que parece abençoar o novo presidente possa cair também na nossa escola.
Muito obrigado.
Francisco Queirós
Director da Escola Secundária de Paredes
Nota: conheço o Francisco. Sei bem que a este discurso correspondem acções consequentes. Só lhe posso desejar as maiores felicidades nestes tempos de obscurantismo(s).
Ler porquê?
22/01/2009
Coerência?
20/01/2009
Crónica Semanal
Em texto directo, em anexo e também em www.radiopax.com
Mais papistas…
Não posso começar esta crónica sem uma saudação muito especial aos mais de cem mil professores que ontem estiveram em greve. Duas paralisações na casa dos 90%, no espaço de um mês e meio, é um facto sem paralelo no sindicalismo português, antes ou depois do 25 de Abril. A actual luta dos professores constitui aliás um movimento social inédito no nosso país, que extravasa muito as fronteiras do sindicalismo. Desde logo porque nasceu nas próprias escolas, como resposta genuína à prepotência e ao autoritarismo da equipa ministerial teimosamente apoiada por José Sócrates. A contestação generalizada a este modelo de avaliação anti-pedagógico surpreendeu os próprios sindicatos que assinaram o polémico Acordo com o ME, em Abril de 2008.
Mas as causas e consequências dos protestos dos professores vão muito para além da avaliação, do estatuto que separou artificialmente a carreira entre titulares e não-titulares e dum modelo de gestão anti-democrático que pretende, de algum modo, restaurar a bafienta figura do "senhor reitor". A luta não ficou confinada nas escolas, ganhou o espaço público e protagonizou, em pouco mais de meio ano, duas das maiores manifestações de sempre em Portugal, com 100 e 120 mil participantes, seguramente as únicas que conseguiram trazer à rua a maioria qualificadíssima de uma só classe profissional. Tudo isto apesar da chantagem, das ameaças e dos cantos de sereia. É obra!
As repercussões sociais e políticas deste movimento ainda nos escapam. Mas, justamente por ele se situar no coração do sistema educativo, por ter envolvido pais, alunos e toda a sociedade, o mínimo que se pode dizer é que estamos a assistir a uma aula magistral de educação cívica. Os direitos e a dignidade profissional dos professores não cederam a ameaças nem estão à venda perante recuos "simplex" que apenas confirmam a falta credibilidade de um modelo de avaliação mal copiado de paragens longínquas e que já nem é levado a sério pelos seus promotores.
Perante esta afirmação de dignidade profissional e cívica de que se orgulha legitimamente a classe docente, destoa o clima de intimidação e as pressões intoleráveis exercidas sobre os professores de duas escolas da cidade de Beja – a Mário Beirão e a D. Manuel I – por sinal, tive o gosto de ser professor, delegado e dirigente sindical nestas duas escolas, na já longínqua década de 80. Não posso pois calar a indignação perante o que se tem passado, em particular na Secundária D. Manuel I, a nossa velhinha Escola Industrial e Comercial de Beja.
Mais de 90 dos 114 professores desta Escola pediram, no final do primeiro período lectivo, a suspensão de avaliação, depois da greve a que aderiram cerca de 80 docentes. Já em Janeiro, na sequência do Dia de Reflexão, mais de 70 subscritores solicitaram a convocação de uma Reunião Geral de Professores, ao abrigo do Artigo 497 da Lei 99/2003 – vulgo Código do Trabalho. Espantosa foi a reacção dos órgãos de gestão da Escola: esta reunião seria ilegal à face a um regulamento recentemente imposto à função pública – como se os funcionários do Estado pudessem ver os seus direitos diminuídos face à lei geral e, sobretudo, face á Constituição da República Portuguesa que consagra o direito de reunião no seu Artigo 45.
Pior: além de "não autorizar" uma reunião que apenas tinha de ser comunicada e nem carece de autorização, o órgão de gestão da Escola marcou ele próprio, para o mesmo dia e a mesma hora, uma reunião, com um ponto único: "Esclarecimento de dúvidas concretas em relação ao processo de avaliação de desempenho na forma simplificada". E impõe logo uma metodologia: "as questões serão respondidas por ordem de inscrição pelos elementos do CCAD, partindo-se do princípio que os docentes consultaram os sites do ministério relativos à legislação". Ou seja: temos uma sessão de explicações aos meninos que ainda não apreenderam a excelência deste modelo de avaliação! Às vezes dá-me uma saudade de voltar á Escola… Ah! E se me perguntarem quem é que me contou tudo isto, como agora está na moda, aprendi há muitos anos que não se fala, nem na PIDE.
Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 20/01/2009





