23/08/2007

Área de Integração

A Área de Integração deve ser atribuída a professores de Grupo de Filosofia. Porquê?


1. A Área de Integração a quase todos os objectivos de formação próprios do 10º Grupo B;

2. O Programa da disciplina tem um carácter não-linear que é absolutamente incompatível com o desmembramento da disciplina por grupos disciplinares. Efectivamente, cada módulo é constituído por três sub-módulos oriundos de diferentes áreas temáticas, pelo que não é possível o seu esquartejamento em três anos distintos leccionados por três grupos disciplinares distintos;

3. NO caso particular da Escola Secundária XXXXXXXX, e pelo facto de não ser linear mas sim um Programa com diferentes percursos de aprendizagem, advêm sérias consequências para o processo de ensino-aprendizagem: após um ano de leccionação, já todos os sub-módulos foram reconstituídos em percursos alternativos, pelo que a retirada da leccionação da disciplina ao Grupo de Filosofia implicaria a sua absoluta inexequibilidade, pois resultaria na total descoordenação didáctica e pedagógica com graves consequências na vida académica dos alunos;

4. Os cursos profissionais contêm no seu currículo diversas disciplinas distribuídas por vários grupos disciplinares; pelo contrário, ao 10º Grupo B só lhe é dada a possibilidade de leccionar Área de Integração. A disciplina de Filosofia ocupa um lugar, por direito próprio, na Formação Geral dos Curso Gerais. Nos Cursos Tecnológicos e Técnico-profissionais, esse lugar é ocupado pela Área de Integração. Consequentemente, ao reclamar para si a leccionação da Área de Integração, não está o Grupo 10º B a reclamar mais do que aquilo a que tem, legitimamente, direito: a substituição da leccionação de uma disciplina da Formação Geral por outra disciplina igualmente da Formação Geral. O lugar natural da nova disciplina é, claramente, o Grupo 10º B;

5. Igualmente, não faz qualquer sentido que uma disciplina equivalente à Formação Geral nos Cursos Profissionais seja leccionada por Grupos disciplinares usualmente correspondentes às formações específicas ou técnicas; trata-se, simplesmente, de substituir uma disciplina da formação geral (Filosofia) pela sua equivalente (Área de Integração);

6. De acordo com o Programa oficial da disciplina, a Área de Integração procura favorecer “simultaneamente a aquisição de saberes oriundos das ciências sociais e da reflexão filosófica”, comprovando a relevância da Filosofia para a sua leccionação; é o próprio Programa da disciplina que o afirma, não se tratando de uma mera manifestação de intenções de um conjunto de professores;

7. Sendo a Filosofia, ela própria, um espaço de reconhecida interdisciplinaridade, ressalvamos o facto de o próprio Programa de Área de Integração salientar, e passamos a citar, que “com este programa pretende-se, essencialmente, desenvolver a capacidade de integrar conhecimentos de diferentes áreas disciplinares, aproximar estes conhecimentos de experiências de vida dos alunos e aplicá-los a uma melhor compreensão e acção sobre o mundo contemporâneo”. Ora, nenhuma outra área do saber senão a Filosofia parece capaz de responder a este desafio;

8. Acresce que o objectivo fundamental de cada um dos módulos, e não apenas o dos módulos finais, é a problematização dos temas/problemas do elenco modular. Qual a disciplina, senão a Filosofia, cuja especificidade se adequa exactamente a esse propósito?

9. Salientamos ainda o facto de a bibliografia de referência ser constituída, em grande parte, por autores oriundos da Filosofia, tais como Fernando Gil, António Damásio, Edgar Morin, Fernando Savater, Simon Blackburn, Jean Piaget, Platão, Olivier Reboul, Paul Watzlawick, Ignacio Ramonet, António Zilhão, Alain Renaut, Niccoló Machiavelli, Carl Sagan, Marguerite Yourcenar, Boaventura de Sousa Santos, Gaston Bachelard, Jean Bronowsky, Karl Popper, Jean-Jacques Rousseau, Jean-Paul Sartre, André Breton, Luc Ferry e Sófocles

10. Analisando o programa de Área de Integração, verifica-se que muito mais de metade dos módulos previstos – cerca de dois terços - são coincidentes com o programa oficial dos 10º e 11º anos em vigor actualmente na disciplina de Filosofia. Também por esse motivo a nova disciplina é reclamada pelo Grupo 10º B;


11. Mesmo os sub-temas de Área de Integração que não coincidem com o actual programa de Filosofia coincidem, no entanto, com a formação de base dos professores deste Grupo bem como com as disciplinas usualmente leccionadas pelos seus professores nas mais variadas escolas secundárias de todo o país, tais como a Psicossociologia, a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política e a Psicologia;


12. Do exposto resulta, ainda, que é necessário assegurar dentro do mesmo grupo de professores a continuidade da disciplina em todos os anos da sua leccionação: manifestamos a nossa total disponibilidade para assegurar a leccionação dos três anos pelos quais a disciplina está distribuída, de modo a assegurar a devida continuidade didáctica, pedagógica e funcional dos cursos técnico-profissionais.



Consequentemente, os Professores do Grupo 10º B reclamam a exclusividade da leccionação da disciplina de Área de Integração

7 comentários:

Anónimo disse...

Área de integração? O nome é arrepiante.

Marilia Carrilho disse...

Bem Haja pelo seu texto. Ja o divulguei.

Já agora, veja aqui:

http://cafefilosoficodeevora.blogspot.com/

Anónimo disse...

Olá!
Aqui em Porto Alegre - BR, temos, mais especificamente em nosso estado(Rio Grande do Sul), mas também no estado de São Paulo, resistencia a que as aulas de Filosofia, qua a partir do ano que vem, passa a ser obrigatória para o ensino médio, sejam ministradas exclusivamente por Docentes em Filosofia, com carga horária também específia;
O liberalismo que prioriza apenas estímulos ao mercado precisa ser contido, sob pena de assistirmos uma cada vez maior miserabilidade também na filosofia;
Graco.

Passos Dias Aguiar Mota disse...

Para Anónimo:

O nome é arrepiante. Agora imagine o programa: parecem os saldos do mau gosto...

Para Marília Carrilho: agradeço a divulgação. Comas devidas adaptações (já fiz algumas e ainda não acabei de o editar...) penso que deve ser levado a conselho de Grupo e / ou de Departamento de forma a ser aprovado para levar a Conselho Pedagógico. A gravidade da situação justifica-o.

Para Anónimo do Brasil: sim, tenho acompanhado à distância aquilo que sucede no Brasil. Um pouco por todo o lado o ensino da Filosofia está em maré baixa. Infelizmente.

Anónimo disse...

Caro Passos Dias,
Pensando nas relações institucionais é mesmo melhor que o grupo de filosofia agarre a AI. De resto, o programa é tão vago para os de filosofia, como os de história ou geografia, logo, não há razão para que deixemos, nós, de filosofia, escapar a disciplina.
É falso que o ensino da filosofia esteja mau um pouco por todo o lado. Creio que o problema do Brasil se prende com o facto de só recentemente a filosofia passar a ser obrigatória no vestibular (equivalente ao nosso secundário). Curiosamente, ao passo que em Portugal eliminamos o exame nacional de filosofia, em alguns Estados do Brasil o exame de filosofia passou a ser obrigatório para entrar em medicina, o que por si só significa a importância atribuída à disciplina. Acontece que a filosofia no ensino superior no Brasil é pouco mais ou menos que a Portuguesa, ou seja, muito má. E isto acontece porque se desconhece a bibliografia mais actual. De resto a filosofia em países como Inglaterra ou EUA goza de muito prestígio social. A prová-lo está não só o crescimento brutal do mercado editorial, bem como de programas de rádio e TV. Os filósofos chegam a ser convidados para programas de TV tipo Talkshow, que são êxitos de Tv. Nesses países não existe filosofia no secundário, mas existe o Critical Thinking que é uma disciplina estruturada pela filosofia e com a vantagem de poder ser ensinada desde tenra idade. Em Portugal ainda andamos agarrados às pedagogias de há 50 anos e ainda acreditamos, com Piaget, que as crianças não conseguem pensar. Erro crasso!!!!
Abraço e obrigado
Rolando Almeida
http://rolandoa.blogs.sapo.pt/

MARCA DE ÁGUA disse...

E os professores de filosofia a leccionar Psicologia? Quer dizer que um licenciado em Psicologia, que dispendeu 5 anos de vida a estudar estas matérias está menos apto que um de Filosofia (que nem a disciplina de Psicologia tiveram durante o curso!) para leccionar esta disciplina??? Parece-me que há uma defesa explicita aos professores de Filosofia!

SL disse...

Pois, mas são situações diferentes.

~COmpreendo o seu ponto de vista, mas a diferença está nisto: é que em AI trata-se de introduzir uma disciplina; e em Psicologia trata-se de introduzir um novo grupo de docência. E isso iria implicar a efectivação de mais funcionários públicos, coisa que o Estado, manifestamente, não quer.

Por outro lado, permita-me que lhe diga que o problema da empregabilidade dos licenciados em Psicologia não está na Docência. Desengane-se se assim pensa. Muitas escolas apenas possuem um ou duas turmas de Psicologia. Isso equivale a ordenados de duzentos euros. E portanto, não é pela docência que se resolvem os problemas de desemprego dos psicólogos.

Já quanto à homologação de muitos cursos, sobretudo privados, na área da Psicologia, a conversa é outra: se muitos deles fechassem, abia-se mais mercado para os que têm qualidade...