30/11/2006

Exames Nacionais

A ideia de escola sem exames poderá parecer sedutora em teoria, mas na prática o resultado é a completa desmoralização e desvalorização social da própria escola. A abolição dos exames é, em grande medida, responsável pelo colapso do sistema educativo. Quando o colapso se tornou evidente, os sucessivos ministérios procuraram dificultar a reprovação legítima e eliminar as disciplinas centrais do conhecimento, substituindo-as por vacuidades que permitam aprovação quase automática, afastando as matérias "difíceis". O resultado é a degradação cada vez maior do ensino, aprofundando-se cada vez mais as diferenças entre quem vem ensinado de casa e quem precisa realmente da escola para ser ensinado porque nem livros tem em casa (e não necessariamente por falta de dinheiro).

Desidério Murcho,
num artigo que a Texto Editores impediu de sair na defunta Pontos nos ii

5 comentários:

pedro disse...

Não ve revejo no texto de Desidério Murcho. Pode ser má-vontade minha mas não me vejo a evitar "esforço de fazer melhor" por causa dos exames ou da falta deles, não me vejo como o "professor médio [que] não cumpre os programas nem se esforça por ensinar melhor" porque não há exames. Fazer planificações e estabelecer objectivos e avaliá-los é um nadinha mais complexo do que ser "único árbitro em causa própria". Tenho alguma dificuldade em me ver como o chico-esperto "que não muda as suas práticas porque sem exames nacionais é mais fácil [...] baralhar e voltar a dar mais ou menos o mesmo, sob a aparência de estar a cumprir novos programas, novas directrizes ministeriais, novas fantasias pedagógicas em que já ninguém acredita". Não me vejo a fugir a cumprir o programa por não me obrigarem a fazê-lo. Não obrigo os meus alunos à "memorização acrítica e acéfala traduzida por paráfrases mentecaptas". Não me vejo a aproveitar do "eduquês" aquilo que me interessa para trabalhar menos. Aliás, não me vejo a embarcar em lugares-comuns metecaptos e irrelevantes do calibre do "eduquês", do "facilitismo" ou do "descalabro do ensino nacional". Não me vejo a mudar as práticas porque me mandam ou por causa do mito autojustificativo da "inovação", mudo porque vejo algum tipo de ganho ou produto na mudança. Provavelmente tenho uma auto-imagem demasiado positiva, mas não me obriguem a concordar com isto. Antes, sinto-me profundamente enojado e com uma vaga vontade de "põr os light thinkers da praça na ordem". Sem grandes forças: deve ser da preguiça congénita da profissão.

José Manuel Dias disse...

Os números não enganam...Precisamos de mudar, a bem de todos.
Cumps

henrique santos disse...

Boas Festas

Pedro disse...

Passei por aqui para te desejar um Feliz Natal e um 2007 cheio de boas novas...

Prof24 disse...

Agradeço e retribuo os votos de Boas Festas. Um abraço!