12/05/2007

Trabalho vs diplomas

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A política, em curso, relativa ao trabalho, não tem nada a ver com habilitações. O menosprezo pelas profissões que eles consideram de segunda, latente em todos os anúncios das novas oportunidades, não tem nada a ver com formação. O sucesso dos trabalhadores de que eles tanto falam não tem nada a ver com o sucesso dos indivíduos. Se tal fosse verdade, não haveria a percentagem de desempregados que existe. Se fosse verdade não haveria licenciados e portadores de diplomas profissionais, nas mais diferentes áreas, no desemprego. Se fosse verdade não estaria em vigor uma lei que aumenta, cada vez mais, a precariedade e a insegurança no trabalho. Ao aumento do desemprego veio juntar-se o aumento do trabalho a prazo, em todos os sectores da vida nacional. A diminuição dos postos de trabalho não tem nada a ver com falta de habilitações. A produtividade não tem a ver com a falta de habilitações.

Todos os problemas de trabalho, existentes no país, têm a ver com problemas de gestão laboral e empresarial e com políticas de corte para resolução dos problemas, em vez de políticas de fomento para aumento de produção e consequente resolução dos problemas.
O país não é pobre. O país está empobrecido! Empobrecido por negociações em que cedemos tudo à Europa. Empobrecido por relações subsídio-dependentes para com a Europa. Empobrecido pelos grandes negócios de alguns vs os cortes de todos os outros (o fosso está cada vez maior… e desta vez, sem vergonha nenhuma; “os outros” ainda nos iam fazendo crer que a riqueza lhes advinha de títulos sucessórios). Empobrecido pela exploração do trabalho e pela diminuição do poder de compra do cidadão. Enfim, empobrecido por uma gestão e uma política de estrangulamento, de cujos resultados catastróficos culpam o trabalhador que não faz mais do que produzir o que o patrão deixa, seja ele um privado, ou o estado.

Claro que somos louvadíssimos pela Europa. Enquanto formos cortando, em troca de pequenos subsídios, enquanto não formos produzindo e formos importando tudo o que precisamos, quem produz só pode estar feliz e apoiar esta política. Claro que somos louvadíssimos porque, nestas contas do deve e haver, vamos conseguindo manter-nos naquela margem estabelecida… sem ficarmos muito abaixo para não sermos o parente pobre acusado de negligência, sem ficarmos muito acima para não começarmos a pôr em risco os gráficos de exportação/importação dos países com posses. Claro que, de vez em quando, lá vem a tal reprimenda, para que o governo possa “apertar” mais um pouco em nome dessa margem estabelecida. E lá vamos vivendo, muito satisfeitos, nesse equilíbrio efémero, querendo acreditar que um dia sairemos do limiar de pobreza (dizem eles… pensam eles “de que”…) !

E aqui entram os subsídios! Como um deles visa o programa de formação dos cidadãos europeus, vá de promover habilitações. Não interessa como, interessa que desse subsídio resulte um aumento das estatísticas no que às qualificações diz respeito. Interessa que isso seja feito de forma a que as verbas permitam não só esse aumento, mas que possam dar para mais qualquer coisita (isto é um “suponhamos J !), já que eu não acredito que aqueles CRVCC tenham o objectivo primário de dar e/ou reciclar competências profissionais (nem que absorvam toda a verba disponibilizada para a formação e que deveria ir para centros que o fizessem verdadeiramente). Creio que não irão além da atribuição rápida de diplomas contabilizáveis para as estatísticas. E assim crescerão os diplomados! E a formação crescerá também? Não me parece.

E aqui está a falácia desta política. O emprego não aumentará por terem aumentado os diplomas. Os diplomados não estarão profissionalmente mais preparados porque não é isso que visam os diplomas atribuídos. Sim, porque se as empresas e/ou o estado estivessem interessados em profissionais profissionalizados e especializados já há muito que teriam ido reciclando os seus funcionários e/ou dando-lhes a formação de que necessitassem quando os admitiam, tal como se passa na maior parte dos países que estão interessados no aumento da produção e na riqueza do país. Não creio que seja este o objectivo do nosso. Também não creio que seja esse o objectivo desta campanha!.

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1 comentários:

Moriae disse...

Concordo totalmente ... e muito bem escrito e apanhado, como é hábito, Maria.
Raios os p ... Mas as pessoas vão acordar, não só em Portugal, parece-me.