15/10/2005

Não somos fazedores de milagres!!!!!



As medidas relativas à aposentação são de carácter geral, abrangem toda a função pública, é a desculpa para alargá-las a todo as profissões. Sendo assim, têm-me confrontado com a hipótese da ME não ter margem de manobra para dialogar com a classe a esse respeito. Parece que não é a única porque outras profissões e outros ministros se encontram na mesma situação


E o problema é mesmo esse ... não apenas com o ME!... É com um conjunto de serviços e actividades diferentes. Todas aquelas que tinham regimes especiais exactamente porque desempenham funções específicas e cuja idade, a partir de certa altura, não se coaduna com as exigências do serviço que prestam.

Parece, portanto, que o problema está exactamente no não terem sido ouvido os ministérios e os representantes dessas actividades/profissões para que fosse estabelecido um acordo que satisfizesse todos e que de alguma forma pudesse fazer a ponte entre o pretendido e as especificidades de cada profissão.

Não me queiram convencer que a ME e os outros Ministros ficaram “de pés e mãos atadas” com a decisão do governo PORQUE ELES FAZEM PARTE DO GOVERNO!...

Se não tomaram posição dentro do governo só podemos considerar duas opções para o sucedido: ou estão de acordo com o decidido... ou, se não é isso que se passa, é porque se tornaram meros executores de decisões unilaterais do chefe do governo e então não podem ser considerados como membros de um governo, como "chefes decisórios e interventores" dentro da sua área, uma vez que se limitam a ser transmissores da decisão do chefe. Se assim é, estamos perante um governo de "uma só cabeça" e não perante um governo em que os diferentes membros manifestam a sua opinião, onde há um consenso, onde há um trabalho de conjunto para a melhoria dos diferentes ministérios.
Esses governos costumam ter um nome muito feio, porque agem duma maneira muito feia.

Tudo o que a ministra e o seu gabinete transmitiram para a opinião pública para justificarem o pacote de medidas que pretendiam implementar (soubemo-lo pela comunicação social!!!!) foi o simples facto de que estava a trabalhar com uma classe de calões que nada faz nas escolas. Insultou o profissionalismo e a dignidade dos professores. Atribuiu-lhes toda a série de problemas que se passam a nível da educação. Manifestou uma enorme falta de respeito pela classe profissional que "gere".
Será que algum dos senhores que constitui esse gabinete conhece alguma escola? Não me refiro a visitar escolas ... normalmente "as bonitas"! Refiro-me a ter trabalhado numa escola ... ter sido professor ... ter tido turmas ... ter tido alunos!!!! Claro que não ... basta tentar experimentar trabalhar durante 15 dias (empresto o meu horário – se tal o desejarem), in locco, para perceber que a realidade escolar não é um conjunto de números e dados que se manipulem num papel.

Acresce, ainda, que um professor/educador é positivamente achincalhado pelos putos a partir de determinada idade. Se há indivíduos que conseguem, quer fisicamente, quer psiquicamente, manter um certo equilíbrio ...isso não acontece na generalidade. Os putos são cruéis e não perdoam a mínima imprecisão ...muito menos se for física. Isso vai tornar as aulas e as escolas centros de dia da 3ª idade. E o Sr. Albino que não venha com a bonita história da camaradagem entre "avôs e netos" porque um avô familiar é um facto que os putos aceitam... um "velho" a fazer papel de professor não é aceite!!!. Há casos de colegas que por não terem tempo de serviço suficiente para a reforma se mantiveram em funções para além da idade em que o deviam fazer. É degradante para um indivíduo que toda a vida foi um profissional competente ver-se de repente ser alvo de chacota ... ver-se com as suas capacidades diminuídas, não ser capaz de ser o que era ... É um triste fim de carreira para qualquer pessoa!!!! Acabar indignamente é um ultraje para qualquer profissional que se preze!!!!!!!!

E não me digam que esse professor pode exercer outras funções... sim, talvez possa! Podem exercer outras funções, mas funções que com a sua experiência e o seu saber contribuam para a dignificação da escola e da educação. Não os transformem em meros guardadores de crianças, em meros entretainers.

Além disso, parece que não é por aí!!! ... mas não foi para isto ...nem é para isto que as pessoas trabalharam anos sem fim. Veja-se o caso dos professores que têm redução por idade! O exercer de outras funções foi transformado em aulas efectivas, com um laivo de entretainement, com a única finalidade de guardar crianças, que põem em causa o papel do professor na escola. Serão outras funções continuar a ir para a frente de uma turma fazer aulas de substituição? Serão outras funções fazer aulas de reforço, fazer apoios pedagógicos? Tudo isto se insere numa actividade lectiva que este ME quis transformar em não lectiva, não por questões pedagógicas e de melhoria do ensino, mas única e exclusivamente por questões meramente económicas - com isto reduziu em grande número a contratação de professores. Foi este o único aspecto tido em conta para estas medidas. E tudo isto foi feito através de uma campanha de descredibilização dos professores, utilizando para isso os Órgãos de Comunicação Social, de forma a encontrar um apoio da opinião pública que suportasse medidas que só quem não conhece as escolas e o sistema de ensino pode pensar que de alguma maneira contribuirão para um aumento do sucesso escolar.

Para isso foi elaborada uma legislação, à pressa, em cima do joelho, em que há atropelos, desencontros, indecisões, indefinições, em que “não bate a bota com a perdigota”.
Para isso basta comparar a legislação que foi alterada com o que não foi alterado e tirar conclusões. Refira-se ainda o facto de ser legalmente irregular, para não lhe chamar outra coisa, que despachos e circulares possam alterar leis.

Para além de que quase tudo o que foi preconizado, até agora, como estratégia de remediação do insucesso, já existia na legislação e era feito na maioria das escolas. No entanto foi atirado para as parangonas dos jornais como a salvação da educação, como a última descoberta no campo da “medicina educativa”.

Dizem-me que o país está de rastos, que não é legítimo, por isso, aumentar o número de professores. Dizem-me que não procuremos culpados onde eles não existem, isto é, nos governos, no governo.

Quero acreditar que não me andam a enganar relativamente à situação do país (será?)… no entanto não me peçam que acredite que a culpa é de quem trabalha, nomeadamente, só dos trabalhadores da função pública … não me peçam que acredite que as sucessivas políticas dos sucessivos governos, das várias cores, que por lá passaram não são as culpadas.

Não se atribua, nem se responsabilize os professores pelas políticas seguidas por esses diferentes governos... alguns deles desta mesma cor... não se culpe, nem se use esta classe, mais do que as outras para resolver os problemas pelos quais não são responsáveis, nem se achincalhe uma classe, em nome de um objectivo que todos sabemos não vai ser ultrapassado através dessa classe.

Também não é legítimo que este governo, e dentro dele o ME, tão exigente para com os trabalhadores (talvez mesmo porque só se preocupa com medidas economicistas e é isso o que apenas lhe interessa), continue na senda dos outros governos, desrespeitando não só a lei do trabalho que obriga outros a actualizar os quadros e que não a cumpre, nomeadamente o artº 28º do ECD. Se isto fosse sistematicamente feito, de acordo com as necessidades permanentes das escolas, não havia razão para protestos, uma vez que todos sabíamos com o que contar. Também não teria havido razão para protestos se as medidas tomadas não tivessem sido divulgadas e postas em prática a meio de um legítimo processo de concursos alienando toda a lógica de escolha de preferências manifestadas pelos candidatos que se viram, de repente, vítimas de desemprego em consequência dessas medidas.

E não me digam que os concursos sempre envolveram o "factor sorte" porque não é desse factor que falamos. Estas medidas, ao diminuírem, drasticamente, o quantidade e a qualidade dos horários vindos a concurso fizeram com que fossem os professores com mais tempo de serviço a ficar prejudicados... muitos deles, com 8/10/12 anos de serviço ainda se encontram no desemprego, enquanto que professores com um ou dois anos se encontram nas escolas, na grande maioria dos casos já com horários completos. Os candidatos ao manifestarem as suas preferências fazem-no sempre de acorda com uma estimativa da oferta feita nos últimos anos e com o estudo do tipo de colocações havidas. Assim, é natural que um professor com algum tempo de serviço seja mais selectivo na sua escolha.

As alterações, feitas em pleno processo de decisão, foram causa de grande instabilidade causando um verdadeiro caos na dinâmica do concurso. Este facto prejudicou um enorme número de professores e desrespeitou a seriação existente causando grandes desigualdades. É injusto e tremendamente punitivo de quem durante muitos anos se dedicou à causa da educação. Há medidas que podem ser tomadas mas que têm o seu tempo próprio para o ser feito de modo a não causar injustiças. Mais uma vez o ME falhou no tratamento dos seus funcionários

Do ponto de vista legal, as aulas de substituição, como fazendo parte da componente não lectiva, foram "tornadas indevidamente legais" através de despachos que alteram uma lei!!! Do ponto de vista prático não servem a ninguém! Nem a professores nem a alunos. Não seria muito mais interessante e profícuo que houvesse espaços nos centros de recursos para onde esses alunos fossem encaminhados e que permitissem a execução/desenvolvimento de trabalhos, estudos, pesquisas, etc? Mas isso implicava a existência de recursos que os sucessivos MEs nunca disponibilizaram!!!

Por exemplo, numa escola perto de Lisboa, um aluno foi cumprir castigo para a biblioteca (!!!!!!!!!). Estavam lá três professores à espera de irem para aulas de substituição!!! Não havia mais alunos na biblioteca!!! Não lhes parece um exagero? E que dizer da biblioteca ser o local para onde se enviam os alunos castigados só porque é aí que os professores estão em espera para as aulas de substituição?!. Com que imagem ficam os alunos de uma biblioteca?! E não me digam que é culpa da má gestão da escola!!!! Não … não é! .. É culpa de medidas que esgotaram os espaços e os recursos humanos em actividades que em nada contribuem para a dignificação dos espaços e recursos humanos da escola! Tiraram-lhes a dinâmica … tiraram-lhes o significado … tiraram-lhes o conteúdo.
Outro exemplo, uma turma, soube que a professora de matemática ia faltar. Nesse tempo, alguns foram para a biblioteca, outros para a sala de convívio, etc. Mas como estava uma professora com horário para substituição, não puderam estar para onde tinham ido … tiveram todos que se dirigir para a sala de aula!!! Os alunos não entenderam o absurdo da situação!!! Só diziam à professora: mas não estávamos a fazer nada de mal! Por que é que temos que estar aqui?

Não ... não são meros casos pontuais ... contactem a realidade ... falem com alunos ... falem com professores … falem, inclusive, com pais que já se começaram a aperceber do carácter ilusório e irreal desta situação.

As escolas não podem ser um mero depósito de alunos e um somatório de sala de aulas. Não há aluno que goste de uma escola assim ... não há aluno que se interesse por uma escola assim ... não há aluno que veja aplicação naquilo que aprende se isso não tiver continuação e ligação em actividades sejam elas lúdicas, sejam de aplicação científica de conhecimentos, sejam de mera exploração … mas que sejam de descoberta … que sejam por iniciativa própria… que sejam por gosto. Essas sim, deveriam ser fomentadas!.

O Palácio do "Dinossauro Excelentíssimo" é um mau local para se governar!
Desçam ao país real!!!!


Consideram-nos uma classe de destaque, de relevo na sociedade?! Como será isso possível se somos tratados "abaixo de cão" pela tutela ...pelos pais ...pela comunicação social? ... Quando qualquer coisa de mau que acontece na sociedade é atribuída à escola? ... Quando a escola passou a ser o bode expiatório de todos os males da sociedade?! Como é possível que a escola e a classe tenham qualquer destaque ou prestígio quando nem o nosso próprio "patrão" nos respeita?!

Sim ... é preciso repensar o que se passa nas escolas.

É preciso, sobretudo, pensar porque é que o sistema não funciona.

É preciso pensar como é possível implementar reforma em cima de reforma sem nunca as analisar.

É preciso pensar porque é que alunos e professores andam continuamente ao sabor de mudanças constantes e sistemáticas no ensino sem verem qualquer tipo de feedback!.

É, acima de tudo, essencial que se pense porque é que a sociedade, e muito especialmente os pais, se demitem da sua função educativa. Quem os convenceu de que a escola é capaz de suprir a falta de educação... a falta de afecto... a falta de interesse pela vida escolar dos filhos… e transformar estes jovens em casos de sucesso?

É preciso tentar descobrir como é possível que seja a escola a exercer todos os papéis sociais em simultâneo. Como? em que espaços? em que tempos? Com que o profissionais?

É preciso descobrir como pode o professor desempenhar todos os papéis que a sociedade lhe atribui (pai, mãe, psicólogo, assistente social, burocrata, regulador de conflitos, técnico de reeducação, amigo, conselheiro, etc, etc, etc.... e por fim professor!!!!)

É preciso descobrir desde quando e a que propósito o professor e a escola são os únicos responsáveis por alunos que não abrem um livro, não fazem um TPC, que não trazem material, que não querem aprender.

É preciso descobrir porque razão os pais não se preocupam sequer em perguntar "já estudaste"? ... "já fizeste os TPC?" a pedir "mostra-me os teus cadernos, mostra-me o que tens feito na escola. Para isso não é preciso ser letrado... basta, apenas, ser interessado pela vida escolar dos filhos. O cansaço diário da actividade profissional de cada um não pode ser desculpa para que isso não aconteça.
O desinteresse da maioria dos pais pela educação dos seus filhos reflecte-se no desinteresse total dos filhos pelas actividades escolares. É impossível a escola lutar contra isto (embora tente com todos os meios ao seu alcance). É impossível a escola lutar contra a má opinião que os pais e os meios de comunicação social transmitem aos filhos sobre a escola e os professores. Como lutar contra a falta de respeito que os alunos manifestam na escola, se eles apenas são o espelho da sociedade, mais especificamente do que ouvem em casa, na rua, na TV? A escola tenta desmontar esta imagem... os professores trabalham no sentido de mudar esta percepção... mas não fazem milagres contra o desprestígio que lhes é imposto pela tutela em especial e pela sociedade em geral.

Muitas outras razões existem para além destas... basta querer vê-las... basta não querer “sacudir a água do capote” como sociedade responsável pelo futuro cidadão que todos queremos o melhor possível.

Os professores são trabalhadores, como quaisquer outros... têm que apresentar um produto. Só que este produto é diferente... interfere com a vontade de outras pessoas que mesmo tratando-se de crianças/jovens têm vontade própria... são seres humanos.
Os professores não trabalham com massas inertes que podem ser moldadas à sua vontade. Fazem impossíveis!!! Mas não fazem milagres!!!!

Talvez haja maus professores... é natural! Em todas as funções/profissões há maus profissionais. Mas há muito mais bons professores do que maus!!! Investiguem-se os maus. Não se generalize... não se acuse uma classe de nada fazer!!!!

Tente-se com consciência e com boa fé analisar as causas do insucesso. Procure-se as razões. Não se atribua de imediato a culpa toda aos professores.

Pergunte-se porque não há um pacto social relativo à educação (e, já agora, a outros segmentos da dinâmica social) que englobe os partidos mais representativos e que permita um desenvolvimento destes aspectos sociais.

Pergunte-se porque não há projectos de continuidade que permitam construir algo com alicerces e estrutura segura.

Pergunte-se porque, governo após governo, se fazem e desfazem projectos, se tomam e "destomam" medidas que sistematicamente atrasam o progresso destes sectores, uma vez que por cada passo em frente se dão dois atrás, já que cada mudança governamental destabiliza toda uma estrutura sectorial, provocando atrasos sistemáticos que cada vez mais se tornam irrecuperáveis.

Pergunte-se porque não há uma análise construtiva do que existe e se faz sempre uma análise negativa do que se encontra e se modifica tudo parecendo apenas que o único objectivo de qualquer governante é ser conhecido pela quantidade de "autógrafos" que deixa no Diário da República e não pela concretização de uma obra que por não ser da sua autoria é, à partida, para ir para o lixo.

Pergunte-se porque passamos a vida a implementar coisas que foram testadas noutros países e que não deram provas.

Não há sistema educativo, não há educação que resista a tanto... os professores são os menos culpados de todo o sistema... bem tentam, nas escolas, resolver todas as discrepâncias que sistematicamente lhes caem em cima... mas mais uma vez:
não fazem milagres!

10 comentários:

brit com disse...

"Talvez haja maus professores... é natural! Em todas as funções/profissões há maus profissionais. Mas há muito mais bons professores do que maus!!! Investiguem-se os maus. Não se generalize... não se acuse uma classe de nada fazer!!!!" É mesmo isso!!
Li o teu texto com atenção. Levantas questões extremamente importantes, mas infelizmente, por mais que se escreva, parece que o ME é analfabeto...
Parabéns pelo texto...

mariaprof disse...

Mais uma vez um texto lúcido e pertinente quanto às questões da educação , a que, aliás, este blog já nos habituou...Parabéns f....

IC disse...

Sinceros parabéns, é o mais completo texto de análise do que se passa no sistema educativo que já li na blogosfera (e acho que fora dela). Relevo a questão da descontinuidade dos projectos e do desfazer sem qualquer avaliação do que foi feito, bem como o lembrar as responsabilidades dos sucessivos governos, desta ou daquela cor. E também o lembrar a desresponsabilização de muitos pais, como se não fizessem parte dos principais intervenientes no processo educativo.
Uma sugestão: porque ficar o texto aqui perdido pela blogosfera, porque não tentares publicação nem que só possa ser naquelas secções dos jornais chamadas "opinião do leitor"? E, pelo menos no site Educare podes deixá-lo.

Miguel Pinto disse...

caro f
A escola situada é a foz do sistema educativo. Ao longo dos últimos anos tem aumentado a imundice do sistema educativo e ninguém fala em estações de tratamento. Há que inverter o curso do rio! Parabéns pelo texto.

eccerui disse...

Olá, f...
Penso que fala de quase tudo o que nos consome e da fome autista de quem nos come.
Para o ME ler.. se quiser perceber a revolta que vai nas escolas.
Sinceros Parabéns, Brilhante!!!
Rui

Fátima carvalho disse...

Excelente relato de muitos dos problemas que nos atingem! Parabéns!Eu sou das que com mais de 7 anos de serviço, me encontro desempregada, porque mudaram as regras a meio do concurso!!!Outros, menos graduados já têm horário completo!!
Já agora, uma sugestão: mande esta mensagem ao Presidente da República, Secretário de Estado da Educação, à Ministra e ao 1.º Ministro! Não custa muito e pode ser que a leiam...(portal do governo e da presidência da República, na net)
Um grande beijo de solidariedade e compreensão!

Anónimo disse...

Desta magnífica análise, destaco:

"um aluno foi cumprir castigo para a biblioteca (!!!!!!!!!)" ...

"Com que imagem ficam os alunos de uma biblioteca?!"

E é assim que se governa a educação!

Infelizmente quem governa, no seu autismo, não lê, ou não compreende, ou não quer tirar as conclusões...

Podem dizer-me que não podem, se não podem, demitam-se!

Poupar, só por poupar, e assim, vai sair muito mais caro!

Grato, lm

Ana Silva - Ferreira disse...

É urgente que os professores sejam ouvidos! É urgente que os professores digam BASTA a tudo o que têm "aturado" ao longo de anos. Pessoalmente, já assiti e infelizmente estou a assistir exactamente ao "achincalhamento" de quem já foi excelente professor e não tem 65 anos nem lá perto! Será que políticos que se dedicam a populismos e demagogia conseguem dormir bem à noite? E será que a comunicação social que alinha pelo mesmo diapasão tem noção de que se está simplesmente a prostituir a "a mandar às urtigas" o que de mais sagrado a profissão tem? P.S. Belo texto, f...!

Anónimo disse...

Excelente texto. Obrigado.
Vamos começar a denunciar o que se passa nas nossas escolas e que é verdadeiramente mau e demagógico. Talvez assim "os milagres" da SrªMinistra deixem de ofuscar os pais e a opinião pública.
Será bom, que a sociedade portuguesa perceba finalmente que existem 3 domínios (Educação, Justiça e Saúde) que não podem estar sujeitos ao desvario partidário/governamental, de uma democracia "podre" porque não foi EDUCADA.

Anónimo disse...

Sou professora (9 anos) e estou desempregada. Todas as semanas espero as ciclicas com ansiedade mas concorri para horários com mais de 18 horas. Não esperava que as regras de distribuição de horários mudassem depois de ter concorrido. Tenho clara noção que neste ano lectivo as minhas hipóteses~de colocação são praticamente nulas.
O mais extraordinário é que o subsídio de desemprego que irei receber (porque ainda estou à espera) daria para pagar um horário de 18 horas. Ou seja o ME e o Governo não estão a poupar dinheiro com a diminuição de contratados. Estão a gastar dinheiro e ao mesmo tempo a destruir todas as expectativas e vontade dos professores. Eu já não sonho! Esta profissão tornou-se um pesadelo! A desconsideração pelos professores tornou-se insuportável!