17/09/2006

Sobre o muito que tenho ido lendo e ouvindo ... estou triste!!!

Estou cansada … muito cansada!
Este cansaço resulta especialmente de sentir-me demasiado desiludida com tudo e com todos.

Desiludida com a tutela que, incapaz de reconhecer os erros das suas permanentes medidas de “inovação”, tenta emendar erros com mais erros e descarrega todo o seu fel insultando os professores.

Desiludida com a tutela que me atacou, na minha dignidade profissional, chamando-me incompetente e não cumpridora.

Desiludida com os colegas que, na generalidade, preferem carpir mágoas na sala de professores, acomodando-se a tudo, em vez de lutarem pela reposição da sua dignidade.

Desiludida com os colegas que se dizem mais novos e se acham no direito de pôr em causa todo o trabalho dos mais velhos, imputando-lhes o estatuto de incompetentes, dizendo que só estão onde estão por causa da idade, desfazendo no trabalho de toda a sua vida.

Desiludida porque, estes colegas, que querem ser iguais aos mais velhos, como se estes também não tivessem tido os seus revezes e as suas lutas para chegarem onde chegaram, se acham no direito de os menosprezar, não dizendo fulano ou sicrano são incompetentes … mas sim, os mais velhos não prestam.
Esquecem-se que tudo o que tínhamos e que esta ME nos está a tirar foi resultado das suas lutas.
Bem ou mal conseguimos alguma dignificação da carreira … de tal maneira que tantos quiseram ser professores!
Bem ou mal, tentámos a dignificação da progressão na carreira. O ME não permitiu, nem regulamentou mais do que o que existe. Não foi falta de insistência da classe.

Desde o meu 1º ano de efectivação que sou das professoras mais antigas das escolas por onde tenho andado. Continuo a ser, apesar de continuar a haver colegas muito mais velhos! Porquê? Porque os outros professores não eram efectivos. Porque professores, quase à beira da reforma, não eram do quadro. Porque não havia cursos para professores (o meu era o único que existia) e não abriam estágios. Os cursos para professores apareceram muito depois do 25 de Abril, embora tivessem aparecido uns ramos educacionais entretanto

Porque tal como agora, não efectivavam os professores. Mas agora queixam-se que ocupámos os quadros e não têm emprego! Queixam-se das regalias que tivemos e não têm. Recebíamos desde o dia de contrato até ao último dia de aulas. Contava-nos o serviço ao dia. Não havia recuperação de tempo de serviço se fossemos colocados mais tarde. Éramos eventuais!!!

Viram-se contra os colegas, mas não se viram contra o Estado que não cumpre o que impõe aos privados: efectivação ao fim de 3 contratos. Não deixam os professores reformar-se – neste momento, muitos, cansados da ignomínia a que estão sujeitos, fá-lo-iam de imediato. Que sugerem? Matam-se os professores existentes, para abrirem vagas?! Acham que é por aí? Ou acham que se lhes baixa o ordenado para ficarem todos iguais e agora obrigam-se, em pé de igualdade com os mais novos, a irem prestar provas e fazer mestrados ou doutoramentos para que a seriação seja real?!
Há qualquer coisa que me escapa nesta ânsia de deitar abaixo os mais velhos!!! Há qualquer coisa que me magoa muito! Nem quando fui das mais novas, coloquei em causa a competência dos mais velhos. Sabia que este ou aquele dos mais velhos era incompetente, como também sabia que aquele mais novo o era. Nunca tomei a árvore pela floresta. (Às vezes considero-me uma pessoa estranha neste mundo selvagem!) No entanto, agora vejo a raiva, vejo o deita abaixo constante… não porque tenham observado, apenas pela generalização, apenas porque “eles estão lá e nós não estamos”.
Estou desiludida porque uma classe que está a começar a pautar-se por estes valores, uma classe que, mais do que nunca, se está a tornar autofágica, não tem futuro como construtora de futuros cidadãos saudáveis.

Sobre o sistema de avaliação que existe e a tal “progressão automática” de que nos acusam e à custa da qual também nos querem penalizar, quer a tutela, quer os professores mais novos, vou só dizer umas coisitas para que compreendam a sua existência e deixem de nos culpar por ela.

A imposição "daquelas" acções de formação foi obra do ME contra a proposta de valorização pessoal apresentada pelos sindicatos (estes queriam que fosse valorizada a formação consistente que se ia fazendo - doutoramentos, mestrados, especializações, cadeiras específicas em universidades, pós-graduações, etc).

Contra isto, aproveitando os dinheiros do PRODEP e vendo neste facto uma maneira de ficar com alguns dinheiros para si o ME institui-se como formador e tornou as suas acções forma de avaliação.
Neste ponto das avaliações/progressões ficou muita coisa por legislar e regulamentar, já que apesar da insistência dos sindicatos o ME não o quis fazer.
Neste momento (e isto vem de há 2 ou 3 anos), as verbas do PRODEP começaram a diminuir e assim que isso começou a acontecer o ME começou a dizer que aquelas acções não serviam (facto que todos sabíamos e que todos tínhamos contestado).

Agora acusam-nos de sermos nós a não querermos ser avaliados... o que não é, nem nunca foi verdade.

Muitos professores foram fazendo a sua valorização pessoal, não só a que resulta de pesquisa e de actualização, mas também a que resulta de uma série de acções não contempladas, nem valorizadas para a progressão. A maioria dos professores não se limitou às acções impostas… mas disso ninguém sabe porque não contam para nada, a não ser para o próprio. Muitos professores deram aulas no superior/universitário. Muitos professores trabalharam em grupos de estudos. Muitos professores trabalharam em associações profissionais. Muitos professores desenvolveram, nas escolas trabalhos pioneiros e de mérito. Muitos professores orientaram estágio, dentro e fora da escola. Muitos professores leccionaram as didácticas específicas. Muitos professores… Tudo isto foi feito, tudo isto contribuiu para elevar a condição do sistema educativo, tudo isto contribuiu para a valorização profissional, tudo isto contribui para o enriquecimento cultural, científico e pedagógico pessoal e das escolas … mas tudo isto foi posto de lado. Tudo isto pertence ao currículo de muitos professores, mas tudo isto não conta para a sua progressão. No entanto, agora acusam-nos de progredirmos apenas com as acções. Que culpa temos nós de não nos terem valorizado todo o trabalho desenvolvido? É por isso que somos incompetentes?!

É pena que falem do que os mais velhos fazem ou não fazem, sem saberem do que falam … que nos culpem das incompetências e omissões do ME.
Os professores sempre quiseram uma avaliação… mas sempre quiseram uma avaliação digna e coerente com a sua valorização profissional e com o mérito... e continuam a querer!!! Os professores sempre quiseram separar o trigo do joio… nunca nos foi permitido!!! Não nos acusem a nós, mais velhos de incompetência, de termos “subido” sem avaliação, de estarmos onde estamos sem termos prestado provas. É indigno de quem o faz e é indigno de quem sofre essa apreciação. Há professores maus… há! Mas não são assim tantos como querem demonstrar.

Não me acusem, agora, de ir ser equiparada (!!!!) a titular . Sim, porque, apesar de ter atingido o topo da carreira, agora não me parece que passe disto! Se acham isto dignificante para quem tentou dar tudo o que podia pela profissão e ainda é insultado por ir ter uma coisa que não pediu (e que acha que não deve ser assim), continuem... continuem a dizer mal dos colegas e não se virem contra o ME! É tão mais fácil bater no colega do que contestar os “patrões”!!!!

Sobre o que os professores não querem (ou não deveriam querer):

Os professores não querem um sistema de quotas, em que, se seguirem o mesmo sistema que impuseram em todos os organismos da FP (SIADAP), entre cada 20 professores, só 1 pode ser excelente e 4 muito bons. Se não concordo com este sistema para as outras profissões muito menos concordo com a sua aplicação aos professores (analisem bem este tipo de avaliação: os objectivos em que se baseiam, as condicionantes da avaliação, a relação “secreta” entre avaliador e avaliado, o que acontece se houver mais do que um avaliador a considerar o seu avaliado excelente, etc – e depois digam-me se isto é um sistema de avaliação que dignifique o trabalho e promova o mérito).

A avaliação dos professores não pode ficar dependente de exames feitos por colegas do ensino superior, que já demonstraram, à saciedade, desconhecer por completo o funcionamento e as interacções existentes nas escolas, não pode ficar dependente dos professores saberem ou não as últimas teorias, que na maioria dos casos não são aplicáveis nas escolas reais, e também não pode ficar dependente de inspectores (caso dos coordenadores) que apenas podem constatar cumprimento dos deveres.

Parece-me que alguém que entre para uma carreira sem que esta tenha um incentivo, por menor que seja, ou mesmo por errado que seja, de ir progredindo… uma carreira em que todos sejam iguais desde que entrem até que saiam… uma carreira em que apenas tenha uma diuturnidade de 5 em 5 anos, sem outro objectivo que não seja o de “ir andando” não chega a lado nenhum. É uma carreira condenada ao fracasso, em termos de incentivo à produção e à valorização do funcionário.

Avaliar pela valorização pessoal e profissional é (seria) fácil, no entanto, avaliar pelo mérito, numa profissão em que o “produto” não tem a ver com produção de um “artefacto” mas sim com os resultados obtidos pelos alunos torna-se muito difícil. O mérito não pode ser resultado das tabelas de sucesso/insucesso dos alunos (como pretende o ME)… os professores mais exigentes seriam sempre prejudicados.

Portanto, no que respeita à avaliação, para além de determinar em que medida a valorização profissional e pessoal contribuem para a progressão, há que estabelecer indicadores que determinem o mérito de um professor?

Esta é que é a questão que deve ser analisada! É sobre este assunto que nos devemos debruçar, em vez de andar a tentar demonstrar a incompetência dos outros.

8 comentários:

cinderela-dos-pes-grandes disse...

F..., está coberta de razão!...
Nada pior do que este dedo apontado entre uns e outros, como se não fôssemos todos marinheiros do mesmo barco! Esta energia toda desperdiçada em vão, esta perda de tempo que não nos tem deixado encontrar propostas que possam valer!...
Não temos ninguém para fazer isto por nós, e portanto já chega de perder tanto tempo com acusações tolas e sem fundamento.
Força, f...! Não se deixa desanimar! Mais do que nunca, temos de lembrar-nos daquilo que nos tem mantido neste posto: os nossos alunos e a nossa vocação!
Um abraço!

Anti_Eduquês disse...

Muito bem, F! Quando tenho alguma dúvida vou ter com os colegas MAIS VELHOS, como é óbvio!! Alguém no seu perfeito juízo iria tirar dúvidas com os docentes mais novos??

Essas críticas dos docentes mais novos foram ensinadas nas Escolas Superiores de "Eduquês"! Pode achar que estou a exagerar, o problema é que não estou! Nessas aulas que o Estado me OBRIGOU a frequentar, os docentes de "eduquês" passavam mais de 20% do tempo de aula a "cascar" nos professores mais velhos das escolas não superiores! Nas conversas de corredor, as suas críticas eram impressionantes!! Eu, pessoalmente, cheguei a perguntar a um desses "especialistas" se a sua ciência era apenas aquilo! E numa das aulas perguntei a um desses "cromos", se achava possível a qualquer ser humano, independentemente da idade, representar todos os papeis que o "eduquês" exige!!

Apesar de estar na casa dos 30 anos, aquelas "aulas" eram uma autêntica tortura para mim e para muitos outros professores, obrigados a ouvir tanto disparate. O discurso daquela gente, era sempre: "não fazem isto", "não fazem aquilo", "são incapazes de perceber isto", "são incapazes de perceber aquilo", etc...!

Este discurso durante 4 ou 5 anos, mais a incerteza anual mais o salário de contratado, cria problemas psicológicos graves. Não tenho dúvidas que um professor estar 12 ou 13 anos a contrato e a receber sempre no mesmo índice deixa marcas. Penso que são estes os problemas!

P.S. Muito obrigado a todos os docentes mais velhos e, por isso, mais experientes por todas as ajudas que me forneceram e por tudo aquilo que me ensinaram.

Prof24 disse...

f...,

Dizes que "A imposição "daquelas" acções de formação foi obra do ME contra a proposta de valorização pessoal apresentada pelos sindicatos (estes queriam que fosse valorizada a formação consistente que se ia fazendo - doutoramentos, mestrados, especializações, cadeiras específicas em universidades, pós-graduações, etc)."

Ora nem mais. Nas entrelinhas dos meus posts anteriores está exactamente isso: o reconhecimento do mérito através de cursos formais de pós-graduação. É exactamente isso que eu defendo: um sistema de progressão na carreira em função do mérito e não da antiguidade.

"Muitos professores deram aulas no superior/universitário. Muitos professores trabalharam em grupos de estudos. Muitos professores trabalharam em associações profissionais. Muitos professores desenvolveram, nas escolas trabalhos pioneiros e de mérito. Muitos professores orientaram estágio, dentro e fora da escola. Muitos professores leccionaram as didácticas específicas. Muitos professores… Tudo isto foi feito, tudo isto contribuiu para elevar a condição do sistema educativo, tudo isto contribuiu para a valorização profissional, tudo isto contribui para o enriquecimento cultural, científico e pedagógico pessoal e das escolas … mas tudo isto foi posto de lado. "

Pois foi. E são esses outros aspectos, todos eles equivalentes a situações meritórias, que não são contabilizados na carreira. Não poso estar mais de acordo!

"Parece-me que alguém que entre para uma carreira sem que esta tenha um incentivo, por menor que seja, ou mesmo por errado que seja, de ir progredindo… uma carreira em que todos sejam iguais desde que entrem até que saiam… uma carreira em que apenas tenha uma diuturnidade de 5 em 5 anos, sem outro objectivo que não seja o de “ir andando” não chega a lado nenhum."

A pergunta que fiz, e volto a fazer, é se essa acumulação de benifícios não poderia ser dependente dos tais critérios meritocr´ticos em lugar da simples transição por acumulação de tempo de serviço. Quanto a mim, tal só serviria de incentivo aos bons profissionais que existem na educação, e que sem eles acabam por preferir o desinvestimento na su aprópria formação profissional.

"Portanto, no que respeita à avaliação, para além de determinar em que medida a valorização profissional e pessoal contribuem para a progressão, há que estabelecer indicadores que determinem o mérito de um professor?
Esta é que é a questão que deve ser analisada! É sobre este assunto que nos devemos debruçar, em vez de andar a tentar demonstrar a incompetência dos outros."

Foi essa a questão que me levou a escrever este post.

Quanto aos "mais velhos":
Não creio que exista animosidade por parte dos mais novos relativamente aos mais velhos. Como sabes, ando nisto há 13 anos - e se não sou efectivo, é porque não quis. Já poderia ter efectivado nos dois últimos concursos, mas motivos que não são para aqui chamados levaram-me a adiar essa situação. E hoje, mais que nunca, constato que tomei a opção certa :)))))))))))) O que sinto por parte dos mais novos - e poucos são, curiosamente, mais novos do que eu na escola onde estou - é um tremendo desencanto em relação ao ensino e a sensação de que não é isto o que as pessoas querem. Sobretudo por parte daqueles que, ao invés de mim, têm tido horários miseráveis a dezenas ou centenas de quilómetros de casa. Para muitos desses, até eu já sou um "velho"...

henrique santos disse...

Cara f...
muito do que disse me faz lembrar a necessidade da transmissão de uma cultura histórica dos professores. Muitos não a têm incluindo alguns mais velhos. Aos mais novos os mais velhos poderiam transmiti-la.
Por exemplo, penso que poucos profs sabem que antes do 25 de Abril os professores contratados, que eram a grande maioria na altura, não recebiam nas férias grandes, e que essa, entre outras, foi uma das razões que levou à constituição dos grupos de estudo, precursores dos sindicatos dos professores pós-25 de Abril.
Um conflito artificial de gerações não faz sentido para os professores. Faz imenso jeito à "Patroa".
Já agora não se esqueça que com o código do trabalho do Bagão Félix que o actual Vieira não modificou, os contratos a prazo podem estender-se por 6 anos seguidos sem efectivação.

f... disse...

Pois é, Henrique!

Infelizmente, o nosso curso, é um dos raros a ensinar-nos um pouco de tudo. A história da educação e a história do ensino em Portugal constituem conhecimentos fundamentais à profissão, e no entanto, é raríssimo constarem de qualquer currículo de estudos.

Exactamente! Só faz jeito à patroa … só lhe dá força!
Claro, 6 anos! Mas mesmo assim quantos andam por aí, com muito mais do que isso?

f... disse...

Prof 24, Anti-Eduquês e Cinderela

Dar aulas, no meio disto tudo, é um bálsamo. O desânimo e o desencanto vêm apenas de todas as mariquices que não conduzem a nada, do não reconhecimento do trabalho feito em tarefas que considero fundamentais, do não reconhecerem o desgaste causado pelo trabalho com as crianças, do insulto sistemático do patronato, do tentar tapar o sol com a peneira através de montes de slogans que não têm concretização na prática, de perceber que cada vez tenho mais horas ocupadas e cada vez produzo menos para a escola, do perceber que estamos ao serviço de gente que está tudo menos preocupada com educação/aquisição de conhecimentos, de perceber que transformaram a guarda de meninos (grandes e pequenos) na missão primária da profissão - o resto é um acréscimo!
Tudo junto rebenta com qualquer profissional.

Já agora, prof 24, digo-te que quando atingi o 10º escalão (o que aconteceu cedíssimo), olhei para a frente e pensei "que raio de incentivo tenho agora na carreira?... esperar que de vez em quando se lembrem de aumentar a FP uns míseros tostões?". Tu que me conheces, sabes que tenho a mania de ler, de "estar a par". Que acontece a quem não tem essa "mania", se não tiver algo que o obrigue a fazê-lo? É importante que haja incentivos Mesmo para quem tem "a mania"…). O problema, que se põe é quais e como!

Prof24 disse...

Pois, f... pois é... Que incentivo tens tu? Bom, provavelmente terias algum incentivo num sistema meritocrático como aquele que propus no outro post. Por isso é que critico o actual sistema: é que ele é cego, não premeia o mérito e constitui um estímulo à preguiça e ao desleixo. Pior ainda: constitui um incentivo à não-actualização de conhecimentos do próprio profissional.

Como bem sabes, abomino o neoliberalismo, o darwinismo social e sou um anti-americano primário. Mas os americanos também têm virtudes, e uma delas é esta: as licenciaturas passaram a ter prazo de validade, como os iogurtes. E essa é uma ideia interessante, pois implica que os licenciados actualizem os seus conhecimentos em ciclos de 8 anos após a conclusão dos respectivos títulos académicos. Em Portugal temos uma coisa semelhante, que é a obrigatoriedade de renovação do CAP de X em X anos. Durante esse período de tempo o Formador é obrigado a preencher cumulativamente cursos de valorização/actualização profissional
e prática pedagógica efectiva.

É curioso que digas que a certa altura perdeste alguma motivação. Bom, tenho 34 anos, sou contratado por opção pessoal/familiar e NÃO tenciono efectivar NEM continuar no ensino regular. A carreira não é atractiva (passar uma década longe da família não faz parte dos meus planos) e estou a trabalhar em alternativas que me poderão dar maior satisfação pessoal e económica. É que, em qualquer caso, e com o novo ECD, eu sou dos tais que vão perder 60 mil contos ao longo da totalidade da carreira. Com mérito ou sem ele.
Pergunto-me se as sumidades do ME sabem que o ambiente de desânimo, de desinvestimento na profissão, de falência do ensino público é endémico entre os professores.

Anónimo disse...

Novos e velhos, bons e maus...esses "novos" criticam aqueles "velhos" que não se actualizam e mantêm uma prática pedagógica igual à de há muitíssimos anos, achando que a teoria não tem nada a ver com a prática. Esses "velhos" criticam os "novos", porque são inexperientes, fazem muita "macacada" que não ensina nada (vêm lá das faculdades cheios de ideias), não têm valores, só querem borga...tal, tal, tal.
Sabe bem que é assim. Aliás, afirma que esta "classe (dos novos que criticam os velhos)..."não tem futuro como construtora de futuros cidadãos saudáveis". (??)
Há "velhos" bons e maus e "novos" bons e maus. Não tome a "árvore pela floresta". Ninguém quer o lugar dos "velhos", nem está a lutar contra os "velhos", está tudo a lutar pela mesma coisa: um ECD condigno para todos os professores (e para todos os alunos).